Náufrago

Eu estou perdido.

Lentamente, em pedaços. Perdido em meio a pensamentos, lembranças, pessoas e lugares. Procurando uma forma de preencher esse sentimento vazio que me ronda. Estou preso, fraco e sem nenhuma vontade de seguir em frente, desejando que tudo fosse diferente, que tudo tivesse acontecido de uma outra maneira.

Estou sonhando.

Não quero acordar e ter que sair da minha cama, não quero ter que enfrentar o mundo ou conviver nessa sociedade. Eu quero solidão, ficar sozinho, não quero me sentir forçado a sair de casa. Eu já não sei o que quero ou se é que quero algo, tudo anda mais confuso do que o usual.

Estou cansado.

Não importa o quanto eu durma, não importa se eu engolir um comprido, não importa se eu tome meia garrafa de um uísque barato, todo dia acordo angustiado, cansado, sem vontade. Me sinto fraco, na verdade eu sou fraco, pretendendo ser Golias e levando uma vida de Sísifo. É um martírio insuportável, já não sei onde buscar forças para continuar.

Estou caindo.

Queda livre sem fim, apenas à angústia de estar caindo, sem ter o que fazer, a quem recorrer. O mundo me cansa cada vez mais, me faz perder a fé e me deixa enjoado. Como devo prosseguir? Quando se perde a fé em Deus, na religião, no governo, na sociedade, nas pessoas, em mim? Como prosseguir sentindo-se cansado e torturado, ansioso para que o dia apenas acabe para que eu possa me deitar e desligar? Não consigo me sentir feliz, percorrendo esse caminho escuro, buscando alguma luz para que possa me guiar fora.

Estou perdido, sem esperança.