Um porre torpe de amor

Um porre torpe
de amor.

Um porre torpe, um brinde
a esse sentimento que faz sonhar;
sofrer; sorrir; chorar; suspirar; ficar sem ar.

Um brinde, um porre, um gole de uísque
para aquietar, para sufocar esse tal de amor.
Para manter-me sóbrio das ilusões.

Um torpe desejo de não senti-lo,
arrancar fora as borboletas que voam
inquietas em meu estômago.
Quem sabe um torpe porre para poder
regurgitá-las em um meio-fio qualquer.

Um porre, para esquecer.

Para esquecer aquela pessoa que vi,
enquanto admirava-a sentado 
no bar, sem reação, sem poder dizer:
- Podemos conversar?

Um torpe porre do pior uísque,
para que minha cabeça lateje,
para sentir dor, pois ela é verdadeira,
faz com que me sinta vivo e
lembre de como sou frágil.

Um brinde para a efemeridade,
para tudo aquilo que fica preso,
perdido entre o desejo e o receio…
Um brinde ao medo, que nos faz recuar.
Um porre de l’amour et la peur

Eu sou esse torpe porre.

Esse sentimento que dilacera,
essa vaga essência,
esse nada.

Um torpe porre
a esse escritor de merda.

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