O que te torna verdadeiramente inteligente?
Acho que para uma pessoa ser verdadeiramente inteligente ela precisa ter duas características muito importantes: a curiosidade e a humildade. Sendo assim, não vim falar de gênios nem de coeficientes de inteligência altíssimos, até porque o Roger do Ultrage a Rigor tem um dos maiores QIs do mundo e é a besta que é. Vim falar do potencial de inteligência de qualquer pessoa, pessoas comuns com capacidade cognitiva ordinária e com grande potencial para o conhecimento.
Uma vez estava sentado em um bar com um amigo desses muito inteligentes, talvez o mais genial que conheço — o cara é doutorando no Museu de História Natural de NY!! — e ele me contou algo realmente interessante sobre a sua ideia de inteligência. Para ele, o que torna uma pessoa realmente inteligente é a sua curiosidade em relação a TUDO.
Realmente, o cerne da questão está aí. O que leva a pessoa a ler mais livros, se inteirar sobre os mais diversos assuntos, aprender novas línguas, dominar conceitos complexos sobre ciência, sociedade e filosofia é a curiosidade. Ninguém sai de sua inércia natural se não for movido por uma força.
A neurologia, em suas nem-tão-mais-recentes descobertas, indica que a cognição de um indivíduo tem completa capacidade de expansão. Uma pessoa consegue melhorar, com treinamento e busca intelectual, a sua velocidade de raciocínio, memória, capacidade de interpretação, pensamento associativo, entre muitas outras habilidades próprias do gênio humano. Li uma vez, na revista Mente & Cérebro, que uma das melhores maneiras de se tornar mais inteligente é aprender coisas novas que fujam de sua zona de conforto. Isso porque os neurônios vão fazendo novas ligações e formando novos centros de processamento (galera da saúde, me corrija se eu estiver errado!).
Assim, pessoas realmente inteligentes tendem a ser pessoas verdadeiramente curiosas, que sempre buscam novos aprendizados.
A segunda característica, ao meu ver, que torna uma pessoa realmente inteligente, é a humildade. Não digo aquela humildade cliché, que te obriga a abaixar a cabeça para qualquer bobagem que te falam. Mas aquela que instaura uma dúvida constante de que o seu ponto de vista, o seu conhecimento sobre algum assunto e todo o raciocínio formado sobre ele podem estar, simplesmente, errados.
Oras, tal característica está de alguma forma ligada à primeira, que é a curiosidade. Pessoas que se apegam aos seus paradigmas e velhas concepções sobre as coisas do mundo tendem a ter menos aptidão de buscar o novo. Se uma pessoa, no alto de sua arrogância, acha que o seu conhecimento é absoluto e irrefutável, ela está propensa a aprender menos sobre o mundo e tornar-se, mesmo com um intelecto grande, menos inteligente do que aqueles curiosos que estão sempre se questionando. Vejo isso muito no meio acadêmico de humanas, em que pessoas se apegam em “pacotes” ideológicos e por momento algum questionam conceitos que podem não ser os mais corretos. Existem muitas pessoas com inegável capacidade intelectual que não largam o osso e vivem em função de justificar as suas velhas verdades.
No filme “A Teoria de Tudo” é mostrado como Stephen Hawking sempre supera as suas próprias teorias e nunca teme se auto refutar, admitindo os seus erros passados e sempre repensando os conceitos da física. Isso ocorreu no Direito também, minha área de conhecimento, com um dos maiores gênios da área, Kelsen, que desenvolveu a teoria pura do direito. Mais velho, em uma conferência no México, admitiu que a sua teoria positivista possuía várias falhas e não traduzia o Direito.
Dessa forma, cada dia me convenço mais de que pessoas realmente inteligentes, além de muito curiosas, são também humildes e sempre buscam aperfeiçoar as suas formas de ver o mundo, aproximando-se da inalcançável verdade das coisas (a discussão sobre a verdade fica para outra postagem). Conhecer é das coisas mais mágicas de nossa vida e para fazer isso da melhor forma é necessário aguçar a curiosidade e calibrar a humildade.