Empreender ou não empreender na escola?

Elita de Medeiros (1)
Eder Cachoeira (2)

A diferença básica entre empreender e não empreender está em aproveitar as oportunidades que aparecem à sua frente ou simplesmente executar as tarefas que você recebe de outra pessoa (CACHOEIRA, 2016), ou que você sabe que deve fazer.

Parece difícil encontrar uma conexão entre empreendedorismo e educação, mas ambos estão intrinsecamente ligados: ninguém nasce empreendedor, torna-se. Ademais, a educação, em nosso país, tem formado uma legião de repetidores, não de pensadores.

O mais interessante é que a base da educação brasileira, a Teoria Histórico-cultural, pauta-se na evolução do conhecimento e na problematização de conteúdos. Parece que não está funcionando. Ou é preciso rever sua aplicação.

Quando fazemos as coisas da mesma maneira, os resultados serão iguais. Para ter resultados diferentes, é preciso agir de maneira também diferente.

Vários autores afirmam que as características do empreendedorismo são comportamentais, e já falamos sobre elas em outros textos. Ainda assim, é um assunto tão rico que as possibilidades de aprendizado e aplicabilidade de seus conceitos são imensas.

Por esta razão decidimos pôr em paralelo o empreendedorismo e a educação, e descobrimos um — ou vários — caminhos para ensinar, que podem ser mais prazerosos para professores e alunos, e ainda facilitar o trabalho de todos.

Antes, porém, é importante nos atentarmos para alguns conceitos:

“Conhecimento é a informação que você recebe. Empreendedorismo é fazer mais do que os “outros” com aquele conhecimento. Inovação é o quanto você muda a vida das pessoas com o que faz” (CACHOEIRA, 2016, p. 29, grifos do autor). “Produtividade é o quão rápido você faz aquilo. Competitividade é o quanto você se sobressai em relação as outras pessoas que fazem o “mesmo” que você” (CACHOEIRA, 2016, p. 30, grifos do autor).

Além destes conceitos, ainda é importante conhecer os tipos e graus de inovação:

“Inovação de produto: Exemplo: automóvel com câmbio automático em comparação ao “convencional”. Inovação de processo: Exemplo: automóvel produzido por robôs em comparação ao produzido por operários humanos. Inovação de modelo de negócio: Exemplo: automóvel é alugado ao consumidor, que passa a pagar uma mensalidade pelo uso do veículo em comparação ao modelo de negócio tradicional, em que o veículo é vendido (CACHOEIRA, 2016, p. 31, grifos do autor).

Agora vamos utilizar estes conceitos para o cotidiano da educação:

O Conhecimento é a informação que você, professor, recebeu, e vai passar para os seus alunos. O Empreendedorismo, na sala de aula, é fazer mais do que os “outros” com aquele conhecimento que você recebeu e está repassando. Inovação é o quanto você muda a vida das pessoas, sua, dos seus alunos e da comunidade em que está inserido com o que você faz. Produtividade é o quão rápido você faz aquilo, é o quão eficaz é seu modo de trabalhar, fazendo com que seus alunos fiquem interessados em suas aulas e utilizem o conhecimento que receberam de você para mudar a própria vida. Competitividade é o quanto você se sobressai em relação as outras pessoas que fazem o “mesmo” que você: aqui, a competitividade deve ser sadia. Ao encontrar meios mais eficazes de trabalho, divulgue o que você fez para que seus colegas reconheçam seu trabalho e se espelhem nele.

Quanto aos graus de inovação, utilizaremos situações ao invés de exemplos:

Inovação de produto: situação — material recebido e programas governamentais que não condizem com a realidade de nossos alunos e comunidade. Ação — utilizar materiais da própria comunidade, condizente com a realidade em que está inserido, para o ensino dos conteúdos necessários. Inovação de processo: situação — uso do quadro de giz, aula expositiva e dialogada. Ação — Proposta de análise de problema na comunidade e busca de solução. As soluções encontradas pelos alunos são divulgadas em varais e, no momento da socialização, a professora mostra como associar a ação ao conteúdo. Inovação de modelo de negócio: situação — formação de alunos que repetem o conteúdo e não o aplica no cotidiano. Ação — por meio da abordagem dos conceitos e da inovação, a consequência será a formação de cidadãos realmente capazes de gerir suas próprias vidas e influenciar positivamente sua comunidade. Isto é empreender!

Desta vez não vamos responder a pergunta do título. Esta, você, professor, responde para si mesmo.

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REFERÊNCIAS

CACHOEIRA, E. Empreendedorismo para professores. 2016. Disponível em: <http://pt.slideshare.net/edercachoeira1/palestra-sobre-empreendedorismo-para-professores-58378823>. Acesso em 22 fev. 2016.

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