Segunda-feira é o melhor dia da semana

Não gosto do finais de semana, já gostei muito quando era criança e hoje não suporto. Se para a maioria sábados e domingos são sinônimo de sexo, drogas e rock and roll, para mim é só um lembrete de que não sei lidar comigo e com ninguém.

No último texto disse que não tenho amigos e nem ninguém para me fazer companhia. Tentei me divertir e no começo até me sentia bem, mas com o tempo o complexo de inferioridade apareceu porque estava rodeada por um monte de gente se relacionando e eu bebendo sozinha. Veio o desanimo e eu acabei desistindo de sair de casa. Depois que assinei o Netflix, passo sábados e domingos trancada no meu quarto, deitada. Só levanto pra comer, fazer necessidades fisiológicas e tomar banho.

Eu não aguento a minha inexistente vida social. O vazio é tão grande que uso as séries e os filmes como uma droga. As vezes funciona e acabo esquecendo que sou um lixo, mas com o tempo toda droga perde o efeito e ai vem a bad trip que consiste em remoer o mar de merda que é a minha mente. É uma sensação bem estranha, não sinto vontade de chorar e ao mesmo tempo vem uma tristeza enorme e paralisante. Vivo esta rotina há quase um ano, todo sábado e domingo. Busquei ajuda e as pessoas vieram com aquele papo de que vai dar tudo e certo e etc. Confesso que me senti pior e incapaz depois desta “ajuda”.

Gostaria muito de voltar a ter alegria que eu tinha nos meus quatro anos de idade. Nesta época, fim de semana era sinônimo de farra e alegria. Tudo tinha vida, luz. Não tinha escuridão. Acho que só fui feliz na infância, na adolescência a depressão chegou e desde então não sei o que é felicidade e paz de espírito.

Felizmente, são apenas dois dias. A segunda-feira chega e vem o alívio, rezo para que este dia chegue logo. Enquanto a maioria reclama do primeiro dia útil da semana, me sinto útil por causa do trabalho. Pelo menos trabalhando não penso no lixo que me tornei.