Graça Carregadora

Escrever, para mim, é um exercício tolo de libertação. Muitas coisas ficam presas dentro de mim e escrevo para soltá-las. Infelizmente (ou talvez felizmente) sou prisioneiro de futilidades. Viciado em falsos calores que prometem aquecer o frio da angústia e do desamparo, como Pedro. Um corvo idiota apaixonado pelo brilho atraente de metais baratos, como Judas. Recalcitrante contra a graça, como Paulo.

Sempre quis aprender a nadar. Até hoje não consegui. Estou no processo. Há algum tempo, descobri que cometia (e às vezes ainda cometo) um erro fatal que dificultava o processo. Não me permitia boiar. Por ter medo de me entregar livremente ao movimento da água e confiar que ela me sustentaria ao invés de me afogar, debatia-me freneticamente, o que culminava em afogamento desesperado. Ninguém havia apontado esse erro. Até que me disseram que precisava aprender a boiar. Deitar-me na água e permitir que ela se apossasse de mim, me conduzisse. Descansar. Assim fiz. E boiei.

Não é esse o convite da graça à nós recalcitrantes? Aprender a boiar.

“If grace is an ocean…” diz a canção. Se ela é como um oceano, adianta nos debatermos? Salvaremos a nós mesmos? O problema de não boiarmos, não é o risco de afogamento. Mas o desespero e sobrecarga por se lutar contra tanta água. A graça nos convida a boiar para que possa nos conduzir a Ele.

Para boiar é necessário render-se. A graça é como um oceano. Nunca sentiremos sua leveza e poder de nos conduzir ao Senhor se ficarmos nos debatendo agitados. Podemos descansar. Mesmo que não saibamos nadar. A corrente nos levará para casa.

“E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.” Atos 9:5