Lírios no campo

Nada do que vesti ontem
 me cabe hoje.
 As malhas velhas
 de amores do passado
 a releitura de um conto inacabado
 o suéter que ganhei de natal, embolorado
 meu primeiro apelido como namorado.

Nada do que vesti ontem
 me cabe hoje.
 As roupas dos tempos de criança
 a luz que brilhava minha esperança
 a casa que recebi de herança.

Nada do que vesti ontem
 me cabe hoje.
 O pão de ontem
 a dor que não convém
 meu velho vai-e-vem
 meus tesouros que não valem um vintém
 Os cuidados de quando era neném.

Nada que vesti ontem
 me cabe hoje.
 Sou lírio no campo
 e a vestimenta
 virá.