Menina Nietzschiana

Nos conhecemos num bate papo onde brincávamos de praticar inglês.
Conversamos até mais de meia noite e começamos por volta das seis.
Ela lê Nietzsche, Schopenhauer, Dostoiévski e Hesse.
Ela é cínica, atéia e não acredita em prece.
Ao ver meu e-mail ela disse: “Ah não, tu é crente!”.
Eu disse: “Calma lá, também sou gente!”.

Ela abriu-me a alma
disse que é fria, mas que no fundo acredita no amor.
Disse-lhe que não acredito em ilusões e minha companheira é a querida e viva dor.

Guria cheia de marra, mas focada no objetivo.
Masoquista e ama sofrer, mas não conhece o motivo.
Menina marrenta e rostinho de pirralha
No lugar do coração traz um cubo de gelo e seu olhar é uma navalha.

Numa conversa me permitiu filosofar e ser aquilo que eu não era havia anos
Mostrou-me seu gosto musical peculiar e disse que queria causar-me alguns danos.
Na despedida não chorou, nem disse adeus.
“See you” ou os meus olhos vão se colocar novamente nos teus.

Daqui há um mês nos falamos, por volta das oito talvez
Se não nos falarmos, tanto faz, tanto fez.
E eu que disse que depois da última paulista
por mais nenhuma mulher escreveria poema
estou aqui pagando língua à vista
e me rindo desse dilema.