Oração de um maltrapilho — 2

Querido Criador do Universo que governa tudo de um jeito que não compreendo,

Sei que sempre permaneces assentado sobre o Trono. Inclusive quando eu também me assento sobre o trono e decido assumir o controle da minha vida, no sentido metafórico perfeito do que correntemente representa “sentar no trono”, popularmente falando: fazer merda. Eu assumindo o controle da minha vida é sempre a história de uma boa defecada.

Vamos dialogar sobre minhas inúmeras ansiedades, problemas de saúde e questões mal resolvidas. Acho muita palhaçada minha capacidade de auto sabotagem, de me avacalhar seja com o Senhor ou com alguém que eu goste sempre que as coisas começam a dar certo…

Meus adoecimentos são para me lembrar da minha mortalidade e que não passo de um monte de carne de péssima qualidade no açougue da vida, né? Tá bom…

Se o Senhor sabe que eu não sei ser o cara certinho, o crentinho bacana que comparece em todos os cultos e missas, que evita os maus caminhos e tal, porque não me muda de uma vez ou então me abandona? Sabes que, mesmo naquilo que me afasta de Ti, é o Senhor quem eu busco.

E por falar em busca, quando irás me responder minhas inúmeras questões? Quando irás arrancar da minha alma as “ex” da vida e os amores do passado que me assombram feito fantasmas, acordado ou dormindo, ou que então, se arrastam dentro de mim feito um câncer, fazendo metástase e devorando minha capacidade de amar outro alguém?

Cansei de escrever de novo. A gente dialoga depois. Quando eu tornar a cair em mim. Sou aquele pródigo que já foi embora muitas vezes, mas que, de alguma forma, sempre é atraído a voltar para casa.

Continue sendo esse Pai e me vença com o Teu amor.
No final, o Senhor sempre ganha.
Dá um beijo no meu Irmão e no R., porque é só por Eles que oro a Ti.
Em nome do meu Irmão, amém!