Tempus Fugit

Ela tatuou nas costas “Tempus Fugit” e quando encostei na tattoo seu corpo arrepiou de desejo. Olhou-me nos olhos e sorriu, fazendo-se de tímida. Tomamos o ônibus e o motorista ouvia música romântica. Sussurrei em seu ouvido que havia pagado o condutor para criar um clima. Deu uma risada e chamou-me de idiota.

Dei-lhe um livro e entramos sozinhos no elevador. “É agora?”, ela pensou. “É agora”, meu olhar confirmou. Por mim ela leu Goethe e indicou-me um livro grande de Schopenhauer, que encaminhou-me por e-mail.

Nos encontramos numa rua deserta e paramos para conversar. Ela trazia na mão um livro de Bauman sobre liquidez. Sorrimos um para o outro e lhe bloqueei o caminho. Roubei-lhe um beijo no puro atrevimento e marcamos um cinema.

Entre memórias esparsas e distantes o tempo ainda foge.