Videntes que não me veem

Quem me vê assim passar
 não faz ideia do que passo
 Não sabe o ritmo no qual danço
 nem quando saio do compasso.

Quem me vê assim
 valente
 desconhece o lado carente
 que não finge ser de ferro
 que é gente.

Quem me vê com dois olhos
 perde muita coisa.
 Só dois olhos
 nunca podem me ver.

Para me ver é preciso
 olhar com estrelas
 com olhos de abismos
 tentar me segurar
 com dedos etéreos
 sem falsos heroísmos.

Quem me vê assim vestido
 não sabe da minha nudez
 Do arrepiar da minha carne
 do esfriar da minha tez.

Quem me vê assim inteiro
 não conhece essa metade
 nem a outra que escondo
 carregada de saudade

de tanta coisa
 que nunca tive
 que nunca vivi
 que nunca vi
 mas que também
 já esteve
 e continua de algum jeito
 aqui.

Quem me vê assim poeta
 desconfia ser coisa certa
 meu jeito de versar.
 Quem me vê como poeta
 jamais entenderá
 minha Poesia.