Café gelado

Edgar Albuquerque
Jul 24, 2017 · 1 min read

Fiz tudo certo. Coloquei a cápsula na máquina, ajustei a caneca, a sua. Sim, quando você não está por aqui eu uso a sua caneca. É nela que eu bebo o meu café. Há muitas canecas aqui, e você dirá que são todas minhas, é verdade. Mas desde o primeiro café com você, essa sempre foi a sua caneca. Apertei o botão, o verde.


Abri os olhos. A claridade do dia que nascia já se fazia notar. Teu ombro desnudo me convidava a percorre-lo. Me permiti admira-lo por alguns segundos antes de projetar meu corpo sobre o seu, antes de seguir o contorno do teu ombro com meu rosto, roçando-te a pele com meus lábios, deslizando-me sobre a curva do teu pescoço, antes de sussurrar-te "bom dia" para, em seguida, afundar-me nos teus cabelos. Longos sorrisos estampados nos travesseiros.

Lá fora, a tarde vinha com uma chuva intensa. Diferente daquela chuvinha da manhã, mais calma, suave como teus beijos em meu rosto. Intensa, a chuva ao cair no cair da tarde respingava sobre a janela. Pequenas gotas de suor sobre nossos corpos intensos. Pequenos trovões ofegantes reverberando em lençóis amassados.


Quando dei por mim, a chuva despedia-se com umas poucas gotas aqui e ali. Na caneca, o café gelado, esquecido, testemunha da minha vontade de você. Troquei a cápsula, troquei a caneca, agora a minha. Apertei o botão, o verde…

    Edgar Albuquerque

    Written by

    www.cronicasdeumterraqueo.com.br

    Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
    Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
    Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade