“Empacou”

No último sábado, após o empate em 0x0 entre Brasil e Equador, o comentarista do canal SporTV, Maurício Noriega, comentou, sucintamente: “Empacou”. Perguntado pelo narrador Luiz Carlos Júnior se o correto não seria “empatou”, Noriega replicou: “Empatou e empacou”.

E ele tem toda razão. O primeiro tempo da Seleção na estreia da Copa América foi bom. Houve movimentação no meio-campo e algumas boas chances foram criadas. Mas o gol não saiu. E, no segundo tempo, houve uma queda vertiginosa de rendimento. Dunga fez substituições pragmáticas e não alterou a forma de jogar. E por isso podemos dizer que ele e o time empacaram. Não há um plano B. Se o plano A, treinado por toda a semana, não funciona, a Seleção empaca. A equipe fica perdida, não pensa “fora da caixinha”, não tenta algo diferente e nem é estimulada a isso pelo treinador. E assim, o Brasil chegou ao quarto empate em cinco jogos oficiais, considerando Eliminatórias e Copa América.

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

E cabe lembrar que só não perdemos graças a um erro do bandeirinha, que assinalou a saída da bola no lance em Alisson falhou feio e aceitou um frango homérico. Aliás, será que Dunga vai usar o mesmo critério que usou com Jefferson, num lance muito mais difícil para o goleiro?

BRASILEIRÃO - OLHAR CARIOCA

Os cariocas também empacaram. O Flu não saiu do zero com a Chapecoense, apesar da superioridade. O time é bom e Levir achou a melhor formação. Mas o troca-troca na posição de Cícero atrapalha um pouco. É preciso definir se ele é volante ou meia. E o Fla deixou o G4 ao perder para o Palmeiras. Resultado normal mas que podia ser melhor. Zé Ricardo mexeu mal quando o Rubro-Negro era melhor. Ao invés de aproveitar os espaços que Cuca ofereceu no meio-campo, recuou e chamou o Verdão pro ataque. O medo de arriscar custou um bom resultado.

Pior fez o Botafogo. Sem jogar bem desde a final do Estadual e com uma escalação diferente a cada jogo, o Alvinegro empacou na zona de rebaixamento e na teimosia de manter o ineficaz Ribamar no ataque. Já o Vasco, na Série B, segue invicto e líder, mas perde muito sem Andrezinho. Autor do gol da vitória no segundo tempo, ele começou no banco. E sem ele, o Vasco cria pouco, perde o ritmo e depende demais de Nenê.