Entrevista com Bruno Martini, condutor da tocha em BM e campeão mundial de ginástica

Bruno Martini é o único campeão mundial de um esporte olímpico nascido em Barra Mansa. Era pule de dez para carregar a tocha na cidade. Mas, de forma surpreendente, não estava escalado. Criou-se uma comoção nas redes sociais. A população barramansense cobrou a presença do vencedor do Duplo Mini, categoria da Ginástica de Trampolim, dos World Games de 2013 e do Mundial de 2011. E já que a voz do povo é a voz de Deus, Bruno foi incluído, em cima da hora. Duas versões se espalharam pela cidade. A primeira é de que sua irmã, Paula, teria conseguido a vaga, solicitando ao Comitê. A outra é que a Prefeitura teria conseguido sua inclusão. Indagado sobre o assunto, Bruno preferiu não comentar. Segundo Paula, “ele é muito tranquilo com tudo”. Aposentado aos 28 anos, em função de uma lesão, o agora árbitro falou, em entrevista exclusiva, sobre a emoção de conduzir o fogo olímpico e agradeceu ao povo de Barra Mansa: “Ver pessoas pedindo meu nome para carregar a tocha sem conhecê-las fez valer tudo que eu fiz pelo esporte”.

Foto: Rio2016

Como você se sentiu ao se ver fora da lista dos condutores em Barra Mansa? Ficou chateado?
Não fiquei chateado, não. Pois ainda acreditava que seria chamado de alguma forma.

Qual a sua reação ao ver a comoção que seu nome causou na população da cidade?
Foi demais. Ver pessoas pedindo meu nome para carregá-la sem conhecê-las fez valer tudo que eu fiz pelo esporte. Foi muito legal sentir esse carinho todo.

E como foi o convite a poucos dias do evento? Te pegou de surpresa?
Me pegou de surpresa porque não esperava que fosse tão rápido. A mobilização nas redes sociais aconteceu na segunda-feira e já na terça chegou um e-mail na minha caixa (de entrada) e eu fiquei super feliz. Foi meu tio Valter quem me contou. Ele teve acesso ao meu e-mail antes de mim e me avisou.

É possível descrever a sensação de carregar a chama olímpica?
É difícil descrever, é uma experiência inexplicável. Apesar do difícil momento político e social que o país vive, quem ama esporte se emociona, não tem jeito. Posso dizer que é diferente de qualquer momento competitivo que eu tive. Momento que eu vou guardar pro resto da minha vida.

Foto: Divulgação/Minas Tênis Clube

Você já ganhou vários títulos, como os World Games 2013. Mas conduzir a tocha foi a cereja do bolo da sua carreira?
Digamos que foi mais um momento de reconhecimento do meu trabalho como atleta. Talvez uma forma inesquecível para encerrar minha carreira, já que não foi possível do jeito que eu gostaria, que era competir o Nacional em Itabira (MG), ano passado, para encerrar a carreira na cidade que conquistei meu primeiro título nacional.

Sua aposentadoria veio com apenas 28 anos. Continua no esporte, contribuindo de outra maneira?
Sou árbitro de ginástica e faço visitas frequentes ao Centro de Treinamento de Piraí (RJ), onde eu treinei por muitos anos. Não quero me afastar do esporte ao qual muitas pessoas ainda se espelham em mim. Mas, atualmente, sou empresário e atuo na empresa da minha família.

Nas Olimpíadas do Rio, o que esperar da Ginástica de Trampolim? Quais são as potências?
É um evento máximo, né? Vai ser um show e é uma chance para os brasileiros conhecerem um pouco mais esse esporte tão incrível. No masculino, os chineses e os russos são favoritos. No feminino, são as canadenses e as chinesas.

Como esportista, qual é o legado mais importante que os Jogos precisam deixar para o esporte brasileiro?
Precisamos aprender muito como tratar o esporte dentro do Brasil com as potências que aqui vão estar. Lá, os atletas são profissionais. Ganham como profissionais, têm estrutura… Enfim, acho que esse é o legado no esporte. No geral, espero que muita coisa melhore depois dessa festa toda e fique um legado bacana para a educação, saúde e segurança.

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