Foi um Rio que passou

Foto: Pawel Kopczynski/Reuters

Acabou. E ainda não sei se o Rio se despede do mundo ou se o mundo se despede do Rio. A cidade viveu 19 dias - contando o futebol pré-Cerimônia de Abertura - de um clima raro. O orgulho, a felicidade e a confraternização se sobrepujaram aos problemas, sempre tão evidentes. O mundo veio à Cidade Maravilhosa com medo da zika, da Baía de Guanabara, da marginalidade, da crise político-econômica e da estrutura. Durante os Jogos, se maravilharam com o que o temos de melhor e agora vão embora deslumbrados, com nossas paisagens de tirar o fôlego e nosso jeito único. Prova disso foi como os gringos sambaram no Carnaval fora de época que foi a Cerimônia de Encerramento. Uma verdadeira Apoteose no Maracanã.

E mais que BRTs, VLT, metrô, a revitalização da Zona Portuária ou arenas esportivas, o principal legado olímpico é o resgate da nossa auto-estima. Tudo deu certo. Nenhuma das previsões catastróficas se confirmou. E o Rio recebeu a Taça Olímpica, honraria concedida pelo COI pela primeira vez na história a uma cidade-sede. Com os Jogos, o brasileiro voltou a ter orgulho de ser brasileiro. O carioca voltou a ter orgulho de ser carioca. E, juntos, descobrimos que podemos. Que o Brasil tem, sim, condições de receber um evento deste porte e fazer bonito, apesar dos muitos e graves problemas. Que podemos ir além da beleza e do samba. Mostramos que temos capacidade de organização. E também derrubamos alguns mitos. Um marroquino assediou sexualmente de uma camareira. Um americano inventou um assalto. Um holandês bebeu demais e foi expulso. Australianos falsificaram credenciais. Nós? Demos show. De respeito, de hospitalidade, de alegria, de torcida. Porque este é o nosso jeito de torcer. Quem não gostou, que chore lá em Paris…

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Precisamos ter orgulho dos Jogos que realizamos. Precisamos ter orgulho dos nossos atletas, que, em sua maioria, saem da extrema pobreza para participações e conquistas heroicas. Provando que isso nunca foi só um jogo. O esporte é uma ferramenta de transformação, de inclusão, de educação. Por isso, precisamos reforçar nosso incentivo ao esporte desde a escola, fazendo uma ligação com o alto rendimento. Talvez, assim, possamos repetir a Grã-Bretanha, sede em 2012 e que fez história quatro anos depois, com o segundo lugar no quadro geral de medalhas no Rio, a frente da China.

Foto: Ezra Shaw/Getty Images

No âmbito esportivo, obtivemos nosso melhor resultado: 13º lugar, 7 ouros e 19 medalhas ao todo. Bem abaixo da meta, mas dando esperança, com o surgimento de novos talentos. Assistimos a esportes de pouca tradição. Descobrimos novas modalidades e podemos ter, em breve, um novo cenário esportivo no Brasil. Mas é necessário investimento, esforço e trabalho. Dentro das arenas, vimos uma Olimpíada fantástica. Bolt, Phelps, Billes e muitos outros atletas de ponta. E Também vimos atletas do Sudão do Sul, da Síria, mulheres do Irã, da Arábia Saudita e do Egito, competindo todas cobertas. Vimos os refugiados, mostrando a todos o que são os valores olímpicos. E quando digo vimos, quero dizer in loco. Uma oportunidade única. Uma honra.

Enfim, o fogo olímpico se apagou. Foi uma emoção receber e viver esse evento grandioso. Que o Brasil e o Rio aprendam com ele. E nós, amantes do esporte, nos vemos em Tóquio. E, por que, não, no Rio novamente? Los Angeles recebeu duas edições dos Jogos em 52 anos. Sendo assim, até 2068…