7 motivos para descobrir O Enigma de Andrômeda

*Por Roberto Fideli

Michael Crichton foi um dos mais populares escritores de ficção científica de sua geração. E o seu primeiro romance scifi, O Enigma de Andrômeda (1969), deu origem a um dos filmes mais assustadores e esteticamente realistas do gênero, em 1971.

No livro, publicado originalmente em 1968, um satélite espacial cai em uma pequena cidade do Arizona, trazendo consigo um vírus letal que pode causar uma catástrofe biológica de proporções nunca vistas. Um grupo secreto composto pelos mais renomados cientistas de suas áreas é reunido pelo governo americano e colocado em uma instalação sofisticada para descobrir a cura para esse vírus, antes que seja tarde demais.

Lançado este mês pela Aleph, confira sete fatos que farão você desvendar O Enigma de Andrômeda o mais rápido possível — antes que seja tarde demais…

  1. Michael Crichton começou sua carreira como médico
Michael Crichton (Reprodução/Vanity Fair)

John Michael Crichton nasceu em Chicago, Illinois, em 23 de outubro de 1942. Romancista, roteirista, produtor e diretor, poucos sabem que ele na verdade começou sua carreira enquanto estudava Medicina. Formado em Harvard, começou a escrever romances em 1966, quando publicou o manuscrito Odds On, que narra uma tentativa de assalto que dá errado. Muitos de seus livros são fortemente embasados em conceitos científicos como genética e biologia — Jurassic Park e o próprio O Enigma de Andrômeda, por exemplo.

2. Crichton é responsável por mais clássicos do que você imagina

Westworld (1973)

Seus livros mais famosos são Jurassic Park e O Mundo Perdido, adaptados para o cinema por Steven Spielberg. Aliás, a dupla retornou a parceria na produção da série ER — Plantão Médico, que contava as histórias de um hospital público de Chicago. Além disso, Crichton também foi diretor e roteirista: o seu primeiro trabalho como cineasta foi no filme Westworld (1973), que fala sobre um parque de diversões com temática faroeste que foge do controle. O filme foi recentemente adaptado para a HBO por Jonathan Nolan e J.J. Abrams, conquistando muitos fãs de ficção científica. Já em 1984, ele também escreveu e dirigiu Runaway: Fora de Controle, estrelado por Tom Selleck.

Outros de seus trabalhos conhecidos e adaptados para o cinema e televisão incluem: Assédio Sexual, Linha do Tempo, Congo, A Esfera, O 13º Guerreiro e, claro, O Enigma de Andrômeda. Crichton morreu em Los Angeles em 4 de novembro de 2008, aos 66 anos.

3. O Enigma de Andrômeda foi o seu primeiro livro sob o próprio nome

Michael Crichton na adolescência ou o futuro John Lange?

Crichton escreveu O Enigma de Andrômeda durante um período de três anos. Seus romances anteriores, como Odds One (1966), Scratch One (1967) e Easy Go (1968) foram publicados de forma independente, sob o pseudônimo de “John Lange”. O Enigma de Andrômeda foi seu primeiro grande sucesso, chegando a figurar na lista de mais vendidos do The New York Times, o que ajudou Crichton a se estabelecer como um dos mais importantes e bem-sucedidos escritores de ficção científica de sua época.

4. A obra foi adaptada duas vezes

Os cientistas da base Wildfire na adaptação cinematográfica de O Enigma de Andrômeda

O romance também foi o primeiro livro de Michael Crichton adaptado para o cinema. O filme foi dirigido pelo cineasta Robert Wise — que também foi responsável por títulos como O Dia em que a Terra Parou (1951) e Jornada nas Estrelas: o Filme (1979), além dos clássicos Amor Sublime Amor (1961) e A Noviça Rebelde (1965). O longa foi estrelado por Arthur Hill (Dr. Jeremy Stone), David Wayne (Dr. Charles Dutton) e James Olson (Dr. Mark Hall). Já a a maior mudança entre o filme e o livro está no papel do Dr. Peter Leavitt, transformado na Dra. Ruth Leavitt (Kate Reid) no cinema. A mudança foi sugerida pelo roteirista Nelson Gidding, que se inspirou no papel da atriz Raquel Welch como a cientista Cora no filme Viagem Fantástica (1966). No começo, o diretor Robert Wise não gostou da ideia, mas acabou cedendo. O filme foi um dos maiores sucessos de bilheteria de 1971, recebendo indicações ao Oscar de Melhor Direção de Arte e Montagem.

Já em 2008, os irmãos Tony e Ridley Scott, ao lado de Frank Darabont (produtor de The Walking Dead), produziram uma adaptação para a TV. A minissérie foi estrelada por Benjamin Bratt, Christa Miller e Viola Davis. As maiores mudanças feitas com relação ao livro têm a ver com a sexualidade e etnia de vários personagens, sendo que muitos foram inventados e outros tiveram seus nomes alterados. Ainda que menos conhecida do que o filme, a série foi indicada a seis prêmios Emmy.

5. A trama traz um dos alienígenas mais assustadores da ficção científica

Caso exista, torça para a vida fora da Terra ser inteligente. Caso contrário…

Em O Enigma de Andrômeda, Michael Crichton nos apresenta um dos alienígenas mais interessantes (e possíveis) da ficção científica: a Variedade Andrômeda. Crichton faz a seguinte pergunta: e se nosso primeiro contato com vida extraterrestre não for com uma forma de vida inteligente e muito menos humanoide? E se ela for, na verdade, um microrganismo — talvez até mesmo um vírus? O resultado é um dos alienígenas mais assustadores da ficção científica, uma entidade com a qual não se pode argumentar ou negociar, um inimigo implacável que precisa ser detido a qualquer custo. O mais assustador, porém, na proposta de Crichton, é que ela é muito possível. Nas últimas décadas, muitos cientistas argumentaram que as primeiras evidências a serem encontradas de vida fora da terra, serão sob a forma de microrganismos…

6. A Hipótese do Homem Só

Dr. Mark Hall, o Homem Só

Além da Variedade Andrômeda, Crichton nos apresenta outra teoria interessante para destaque: a Hipótese do Homem Só. Ela afirma que homens solteiros e sem filhos são melhores para tomar decisões de vida ou morte, ou que envolvem a manipulação de armas de destruição em massa. Tanto no livro quanto no filme, o Dr. Mark Hall é o indivíduo escolhido para ser o Homem Só dentro do grupo, sendo incumbido da responsabilidade de destruir a base Wildfire caso o vírus de alguma forma escape do controle dos cientistas. O próprio autor, no entanto, problematiza essa questão. No decorrer do livro, o Dr. Jeremy Stone afirma que, apesar de a Hipótese do Homem Só ser precisa (dentro do contexto da obra), ela é essencialmente um documento falso usado para justificar a entrega de um dispositivo nuclear nas mãos de um civil, fora do controle do governo.

7. O livro e o filme fazem você esquecer que são obras de ficção

Ficção ou realidade? #DescubraOEnigma

Tanto a proposta quanto a execução de O Enigma de Andrômeda são projetadas para fazer com que você se esqueça de que está lendo/assistindo uma obra de ficção científica. O livro de Crichton é saturado de informações científicas e relatórios, enquanto o filme de Robert Wise presta uma grande atenção aos procedimentos executados pelos cientistas, criando uma estética quase documental. O resultado, em ambos os casos, é uma experiência esteticamente muito realista, tensa e profundamente aterrorizante.


O Enigma de Andrômeda
Michael Crichton
Aleph

Referência da literatura scifi, do mesmo autor de Jurassic Park e O Mundo Perdido

Tradução: Fábio Fernandes
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*Roberto Fideli é jornalista e mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero, além de editor do site Who’s Geek.