7 razões para se unir à causa e explorar a série Executores

*Por Leandro Saioneti

Quem nunca sonhou em ser herói ou, no mínimo, conhecer algum? No fundo, a sensação de onipotência ou o simples reflexo de poder absoluto sempre aguçou os nossos desejos mais primitivos. Salvadores, messias, lendas… Até hoje, mesmo cercadas por misticismo e/ou puro sensacionalismo, as profecias sobre a chegada daqueles que salvarão o mundo seguem acompanhadas por um fio de esperança.

Mas enquanto ainda nadamos em um mar de possibilidades quase impossíveis, o escritor norte-americano Brandon Sanderson exercitou a sua imaginação em uma saga literária que deu voz ao chamado dos heróis, — mas explorando a mitologia dos próprios vilões. Com Coração de Aço, Tormenta de Fogo e Calamidade (todos já publicados pela Aleph), a série Executores homenageia o legado das grandes aventuras ao melhor estilo Marvel e DC, sem esquecer daquele toque essencial de originalidade.

E se você ainda não conhece a jornada de David Charleston e sua luta contra os Épicos, ou quer saber mais sobre o universo criado por Sanderson, abaixo listamos alguns motivos para você se juntar à causa agora mesmo. Mas não se esqueça: se quer lutar contra um deus, é melhor ter um do seu lado também.


O início da jornada

Imagine viver em um mundo no qual pessoas normais não apenas se tornaram superpoderosas, mas também foram corrompidas pelos próprios poderes. Na série Executores, Brandon Sanderson dá vida à elas na forma dos Épicos, vilões que transformaram o mundo em um caos “legalizado” e submeteram o resto da humanidade à servidão. Nesse contexto, acompanhamos a agitada jornada do “sem poderes” David Charleston, adolescente que jurou vingança a um dos mais poderosos Épicos e assassino de seu pai, Coração de Aço. E nessa luta desigual, ao menos ele terá a ajuda dos Executores, um grupo paramilitar que também declarou guerra aos superpoderosos.

Heróis e vilões?

Trabalhando humor, drama e ação em equilíbrio, a série Executores chama a atenção por fugir da dualidade tradicional bem X mal. Indo além, ela subverte a ordem natural do gênero, colocando um protagonista “comum” em confronto direto contra semi-deuses tiranos. E o curioso é que Sanderson cria essa relação sem se apoiar na saída Deus ex machina para desenvolver a trama. Um garoto sem poderes salva o dia e aceitamos isso sem pensar duas vezes. Já por outro lado, será ele o verdadeiro herói dessa história? E mais: se corrompidos pelos próprios poderes, seriam os Épicos os verdadeiros vilões?

O mundo dos Épicos

A chegada dos Épicos não significou o fim literal do mundo. Aqui, a Terra se adaptou ao prazer dos antagonistas, transformando suas culturas e relações sociais. Se Chicago virou uma cidade de puro aço (Nova Chicago), Nova York vive praticamente submersa pelo oceano (Babilar). Assim, novos ecossistemas urbanos que fogem às leis da física se apresentam em um universo que respira distopia, mas ainda tenta manter traços de uma vida pré-supervilões.

Difícil escolher…

Já que a relação com personagens é algo muito pessoal, saiba apenas que será difícil escolher um preferido nessa saga. Com cada um apresentando virtudes e vícios, histórias e ideais, podemos tanto nos aproximar de David ou Prof (líder dos Executores), como também nos conectar com algum Épico mais “gente fina”. Em resumo, Sanderson apresenta um portfólio rico de personas que conquistam p nosso afeto já nos primeiros diálogos.

Explodindo cabeças

Obra de um autor especialista em reviravoltas, não é loucura imaginar que a série Executores preze por ótimos plot twists. E são tantas viradas de mesa, que a lista vai longe. Afinal, em um mundo em que pessoas se transformam em supervilões sem maiores explicações, a margem para surpresas é grande. E felizmente, Sanderson não apenas soube manter a expectativa alta nos três livros, como entregou revelações à altura do hype. Então, se você ainda não conhece nada sobre a trama, uma dica: desconfie de cada parágrafo, pois tudo o que parece, não é.

Sanderson é o cara

Já conhecido entre os grandes da ficção científica contemporânea, Brandon Sanderson soube como conduzir uma boa história, sem cair no erro de excessos ou personagens pouco atrativos. Com a série Executores apresentando uma narrativa dinâmica, engraçada e completamente empolgante, o autor mantém a adrenalina em alta, enquanto dá coesão para um mundo dominado por pessoas superpoderosas que não respeitam as leis do homem e da própria física. Fora isso, ele constrói a questão heróis X vilões sob uma trama que vai muito além do própria dualidade entre bem e mal.

Em resumo…

Coração de Aço, Tormenta de Fogo e Calamidade são a prova de que o gênero sci-fi continua se renovando, sem perder a identidade. Em um mundo real no qual as coisas parecem definitivas e imutáveis — sem heróis para mostrar o contrário —, Sanderson criou um incrível universo irracional, que exalta vilões para, talvez, dar voz aos verdadeiros heróis. E se a união à causa é o primeiro passo para que eles nos ouçam, talvez ainda tenhamos esperança…No nosso mundo e na ficção.

*Leandro Saioneti é jornalista e membro da comunicação intergaláctica da nave-mãe