Na mente de um jovem Jedi, o caminho para a Força começa

Leia abaixo um trecho do livro STAR WARS: HERDEIRO DO JEDI, lançamento da editora Aleph

Em Herdeiro do Jedi, Luke é designado para uma tarefa muito importante: resgatar das mãos do Império, Drusil uma brilhante criptógrafa alienígena, que promete ajudar a rebelião caso ela e sua família sejam salvas. Luke aceita o desafio, mas não assume essa missão sozinho, R2-D2 e a nova recruta rebelde, Nakari Kelen, serão os seus parceiros nessa nova aventura.

Este é primeiro romance do novo cânone a se passar entre os episódios IV e V da saga e apresenta uma narrativa em primeira pessoa, expondo a mente e o todos os sentimentos do jovem que ainda teme trilhar sozinho os caminhos da Força.


LEIA ABAIXO UM TRECHO DO LIVRO:

Não há ninguém para responder a todas as minhas perguntas agora que
Ben se foi. É um fato gritante que se reafirma cada vez que me pergunto o
que fazer agora. O manto marrom que ele vestia poderia muito bem ter sido
feito de puro mistério; a vestimenta que o envolvia foi a única coisa que ele
deixou na Estrela da Morte. Sei que Han gosta de zombar da ideia da Força,
mas, quando o corpo de um homem simplesmente desaparece com o toque
de um sabre de luz, há algo mais que “truques baratos e bobagem”.

E eu sei que a Força é real. Pude senti-la.

Ainda a sinto, na verdade, mas acho que é como saber que há algo escondido na areia enquanto você desliza as mãos sobre ela. Você vê ondulações na superfície, sugestões de que algo está se movendo ali embaixo (talvez algo pequeno, talvez algo enorme), levando uma vida completamente diferente que você não vê. E sair atrás desse algo para ver o que está sob a superfície pode ser seguro e gratificante, ou pode ser a última coisa que fará na vida. Preciso de alguém para me dizer quando mergulhar nessas ondulações e quando recuar.

Pensei ter ouvido a voz de Ben uma ou duas vezes durante a Batalha de
Yavin, mas agora me pergunto se isso realmente aconteceu. Talvez eu tenha
apenas imaginado; talvez fosse meu subconsciente falando comigo, uma espécie de pensamento esperançoso. Ele está em silêncio desde então e não me sinto confortável para falar com mais ninguém sobre a Força. Meu confidente nesse momento é nada mais que um droide astromec azul e branco.

Han e Chewie estão em algum lugar tentando ganhar créditos suficientes
para pagar Jabba, o Hutt. Eles perderam todo o dinheiro da recompensa da Batalha de Yavin e estão mais uma vez falidos e desesperados; a galáxia que se cuide.

Leia está enclausurada com os líderes da Aliança na frota, no momento
escondida no setor Sujimis, ao redor de um planeta gelado no qual ninguém
presta atenção desde as Guerras Clônicas. Não que ela fosse gostar de ouvir
minhas preocupações mais do que eu gostaria de falar sobre elas. Leia tem
coisas muito mais importantes para fazer do que perder tempo colocando uma
tipoia nas minhas inseguranças. C-3PO está com ela, sem dúvida sentindo-se
pouco apreciado por suas previsões de desgraça iminente em mais de 6 milhões de formas de comunicação. Isso deixa R2 e a mim livres para executar
uma missão para o almirante Ackbar.

Fui despachado para Rodia na tentativa de abrir uma linha de abastecimento
secreta para a Aliança. Não é para chamar de contrabando — Ackbar tem problemas sérios com essa palavra –, mas a verdade é que a Aliança não funcionaria sem isso. Como o Império vem tentando desmanchar nossas linhas de abastecimento na Orla Exterior, atacando bases de contrabandistas, e os mercados negros estabelecidos no Núcleo são meio arriscados demais para nós, temos que procurar outras fontes. Rodia está sob controle imperial, mas Leia sugeriu que o clã Chekkoo, do continente Betu, talvez estivesse aberto a trabalhar conosco. Ela disse que desprezam o clã dominante, Chattza, e são altamente qualificados na fabricação de armas, armaduras e outros equipamentos que poderíamos usar na luta contra o Império. Leia apostava que eles estariam dispostos a desafiar o Império para provocar o clã Chattza, e que poderíamos nos beneficiar disso. Mon Mothma não estava muito certa quanto ao plano, mas Ackbar surpreendeu a todos ficando ao lado de Leia, e isso decidiu a questão.

Não sei por que Ackbar tem esse efeito de dissipar discussões. Ele tem um tipo de carisma contagioso, creio eu, que ninguém gosta de desafiar. Eu, pelo menos, sei que não quero desafiá-lo.

Depois que chegaram a um acordo, me ofereci para a missão e eles me
emprestaram um belo iate pessoal para pilotar. Meu X-wing faria soar todo
tipo de alarme se me atrevesse a entrar com ele no espaço Rodiano, mas um
pequeno transporte com armamento mínimo não chama a atenção. R2 e eu
assobiamos quando o vimos pela primeira vez no hangar da Promessa, uma das fragatas da Aliança. Era mais uma peça de mostruário do que um iate.

Pintada de vermelho metálico com detalhes em prata, a cabine e as acomodações da nave projetavam-se para a frente e as asas caíam para trás em um arco ininterrupto, como uma meia-lua pensando em ficar crescente. A traseira lembrava um biscoito mordido e estava repleta de enormes motores subluz, jammers, sensores e geradores de escudo. Sua potência era completamente invisível pela frente ou pelos lados; dava a impressão de luxo e ostentação. Mas a traseira dizia a qualquer um que a estivesse perseguindo que não conseguiria acompanhá-la por muito tempo. Foi construída tendo como objetivo a velocidade e possivelmente a espionagem, mas com o visual de uma embarcação de lazer de uma pessoa rica.

— Bonita, não é? — disse uma voz, me fazendo desviar os olhos. — Essa é a Joia do Deserto. Pilote-a com cuidado. — Quem falava era uma mulher alta, com pele escura e uma cascata de cachos finos emoldurando um rosto estreito.
Ela me deu um sorriso amigável e eu sorri de volta.
– Ela é sua? — perguntei.
– Sim! Bem, acho que deveria dizer que ela é do meu pai. Mas tanto a
nave quanto a filha estão a serviço da Aliança agora. Cheguei aqui na semana
passada. — Ela estendeu a mão. — Nakari Kelen. Prazer em conhecê-lo.
– Kelen? — disse eu, pegando sua mão e cumprimentando-a. Ela apertava
forte e inclinei minha cabeça para o lado enquanto tentava ligar seu nome e
o da nave a alguma lembrança. — Tem relação com os Biolaboratórios Kelen,
de Pasher?
Seus olhos se arregalaram.
– Sim! Fayet Kelen é o meu pai. Você é de Pasher?
– Não, sou de Tatooine.
– Ah, outro planeta desértico. Então você entende bem o fascínio por
naves e como elas podem me levar para longe de casa.
– Sim, entendo isso muito bem. Meu nome é Luke Skywalker.
– Ah, sei quem você é — disse ela, finalmente deixando sua mão escorregar
da minha.