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Vinte e dois anos de publicações libertárias e clássicos de intervenção.

COLEÇÃO WALTER BENJAMIN

Walter Benjamin fotografado por Gisèle Freund, 1935.

Por que a arte de contar histórias está chegando ao fim? — eu já me fizera essa pergunta muitas vezes enquanto me entediava, sentado com outros convidados durante uma noite inteira em torno de uma mesa. Naquela tarde, porém, quando estava em pé no convés de passeio do “Bellver”, ao lado da cabine do timoneiro, e buscava com meu excelente binóculo todos os aspectos da imagem inigualável que Barcelona oferecia do alto do navio, acreditei ter encontrado a resposta para ela. O Sol descia sobre a cidade e parecia derretê-la. …


CATÁLOGO

Por Fábio Zuker, na introdução de Em rota de fuga (2020)

Gordon Matta-Clark, Splitting (1974)

Horror vacui, o horror ao vácuo, ou o medo do vazio, é um dos princípios estéticos estruturantes do barroco e do rococó. Nenhum espaço vazio, sem preenchimento por imagens e desenhos pode existir. Linhas, traços, curvas e imagens devem ocupar, carregar, tornar o espaço cheio, repleto, maciço, apinhado, opressivo. Como traço estético, a história da arte está repleta de páginas acerca de sua origem céltica, islâmica, bizantina ou mesmo viking.

Mas foi ao longo do século XVII que o horror vacui tornou-se mais influente, senão mesmo preponderante, na produção…


NARRATIVAS DA ESCRAVIDÃO

Por Marcelo Pinheiro

Anderson e Minerva Edwards, que compõem um dos 204 relatos do livro Nascidos na escravidão: depoimentos norte-americanos (Editora Hedra, 2020)

Principal destaque entre os últimos lançamentos da editora Hedra de setembro, a coleção Narrativas da Escravidão chega ao leitor brasileiro em momento agudo de discussão sobre a herança nefasta da escravidão como força motriz de perpetuação da cultura do racismo em pleno século XXI.

A reação popular de indignação contra a morte de George Floyd, ex-segurança de 46 anos, assassinado por asfixia mecânica durante abordagem feita na noite do último dia 25 de maio por Derek Chauvin, policial branco de Minneapollis, em Minnesota, foi estopim do movimento Black Lives Matter. …


AYLLON

Por Suzana Salama

Última página do livro "Puerta de cielo", de Abraham Cohen Herrera

Ayllon foi chacham (sábio, em hebraico חכם) — ou rabino, de acordo com a tradição sefardita — das congregações de Londres e Amsterdã durante século XVII. E embora tenha sido um religioso de posições polêmicas, não poderia ser classificado simplesmente como talmudista ou secular. Seguiu Sabatai Tzvi (1626–1676), mas não por longo tempo. Casou-se com uma mulher informalmente divorciada, o que o levou a escrever uma carta aberta e polêmica sobre o assunto. Visitou vários países e comunidades judaicas pela Eupora e oriente como shaliach (emissário, em hebraico שליח) da congregação palestina de Safed. Declarou inofensivas obras…


CATÁLOGO

Por Edson Passetti, na introdução de Ecopolítica (2020)

A guerra e o seu final anunciavam relações mais livres com o sexo, era cada vez mais visível uma disponibilidade maior do mercado em absorver as mulheres, e já se falava, entre paredes, da presença homossexual no interior das famílias.

O mundo mudara mesmo, o socialismo poderia se fazer global e os democratas se mostravam apreensivos. Vivíamos na América do Sul uma nova era que imprensa e analistas caracterizavam como populismo, uma certa conexão entre interesses burgueses e operários em função do desenvolvimento.

Havia uma obsessão pelos meios para sairmos do subdesenvolvimento…

Editora Hedra

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