Cinco prêmios do SET ficam com Editorial J


Entre os trabalhos premiados, três resgatam episódios referentes à ditadura militar


O Editorial J ganhou cinco prêmios na 27º edição do SET Universitário, encerrado em 24 de setembro. O concurso, que premia produções de jornalismo universitário da América do Sul, contemplou o laboratório do curso de Jornalismo da Famecos nas categorias “Publicação Impressa — Jornal”, “Reportagem em Texto”, “Jornalismo Digital – Projeto Multimídia” e “Documentário em vídeo”.

Entrevista: Fábian Chelkanoff, coordenador do curso de Jornalismo da Famecos/PUCRS e um dos organizadores do SET

O laboratório de jornalismo obteve pela primeira vez a melhor classificação na categoria “Publicação Impressa” do SET, pela edição de um especial sobre liberdade de imprensa, publicada em agosto de 2013. A edição premiada circulou logo após as manifestações de rua que tomaram o país em junho do ano passado. Um levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) registrou 53 agressões a jornalistas durante a cobertura dos protestos. A partir deste número e de uma apuração de dados globais, os alunos do laboratório trabalharam para apresentar um panorama das condições de atuação dos jornalistas em condições extremas no Brasil e no mundo.

O trabalho “Estrangeiros da Vila Tronco”, da aluna Gabriela Féres garantiu ao Editorial J o prêmio de melhor “Documentário em Vídeo”. O projeto contou as histórias das famílias que foram desalojadas ou estavam em situação de remoção da comunidade Vila Tronco, na zona Sul de Porto Alegre, em função das obras da Copa do Mundo de 2014 no local.

http://youtu.be/Cj34SZpRhxE

As repórteres Bruna Zanatta, Júlia Bernardi, Thamíris Mondin e Anna Fernandes venceram na categoria “Reportagem Impressa”, com dois trabalhos publicados na edição impressa do J. Bruna Zanatta e Júlia Bernardi subiram ao palco pela reportagem O interior perseguido, publicado na edição 14, sobre a repressão da ditadura militar no interior do Rio Grande do Sul.

Na visão de Júlia Bernardi, a estrutura do laboratório e a orientação dos professores potencializam a qualidade das produções. “Ter um laboratório como esse, na faculdade, é muito importante. Isso nos prepara para o mercado de trabalho. Nessa matéria vencedora, por exemplo, o professor Alexandre Elmi nos ajudou muito, assim como a professora Ivone Cassol”, afirma.

“Ter um laboratório como esse, na faculdade, é muito importante. Isso nos prepara para o mercado de trabalho.”

Para Bruna Zanatta, o material é consequência das oportunidades dadas pela Famecos. “Nós estamos em um laboratório com professores e esse contato direto, o acompanhamento e a orientação de perto ajudam a qualificar produção”, sustenta Bruna.

Entrevista: Thamíris Mondin e Bruna Zanatta, repórteres do Editorial J

Nesta mesma categoria “Reportagem em texto”, a reportagem Infiltrados na Universidade, das estudantes Thamíris Mondin e Anna Cláudia Fernandes, levou o prêmio, disputado entre 92 trabalhos inscritos. A matéria publicada na edição 13 do Editorial J, contou como ex-agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) espionavam alunos e professores considerados subversivos pela ditadura.

Thamíris Mondin conta sobre o processo de produção do material: “A fonte, no nosso caso, veio antes da pauta. Conseguimos o contato de um ex-agente do DOPS do Rio Grande do Sul, que era um infiltrado nas UFRGS durante o período da ditadura militar. Quando fomos entrevistá-lo, não sabíamos que tipo de informação conseguiríamos. A partir do relato dele sobre a vigilância dos infiltrados, fomos atrás de mais detalhes sobre o sistema de repressão instalado nas universidades naquela época”.

A reportagem também contou com uma pesquisa documental nos arquivos, além de entrevistas com historiadores e com um professor que sofreu perseguição política do regime militar dentro do ambiente acadêmico. Além do SET, a reportagem conquistou a terceira colocação no Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo, em 2013.

Na categoria “Jornalismo Digital – Projeto Multimídia”, foi premiado o projeto Histórias para Lembrar – Relatos sobre a ditadura de 1964, produzido por alunos da disciplina de Projeto Experimental IV, com coordenação dos professores Alexandre Elmi e Vitor Necchi.

O livro, que reúne relatos de personagens que se envolveram de alguma forma no período do regime militar, também conta com um site, que hospeda fotos, textos e os áudios das histórias. Ex-repórter do Editorial J, a aluna Laís Scortegagna destaca que “como eu não fui uma das que fizeram as entrevistas, posso dizer que o trabalho em grupo faz muita diferença para um projeto desses. E, que, além disso, essa história não pode esquecida”, enfatiza.

“Posso dizer que o trabalho em grupo faz muita diferença para um projeto desses.”

Coordenador do projeto, o professor Alexandre Elmi explica o processo de produção Do conteúdo multimídia das histórias: “Nos demos conta que teríamos o áudio de entrevistas e depoimentos, que seriam preciosos. Por que não aproveitamos esses trechos em outra plataforma, onde pudéssemos valorizar o áudio? Foi desta constatação que surgiu a ideia de fazer um site e resumir o depoimento destes personagens” conta.

Ao todo, a 27ª edição do SET teve cerca de 3,5 mil alunos inscritos. Os trabalhos foram analisados por 290 jurados, todos profissionais de mercado sem ligação com universidades. Com as últimas premiações do SET, o Editorial J soma 11 prêmios conquistados em 3 anos de existência, completados em agosto de 2014. O laboratório já havia levado o prêmio por melhor crônica na mostra promovida pela Famecos e garantiu ainda o 1º e o 2º lugar na categoria acadêmica do Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo em 2011, e a 1ª e 3ª posição na mesma competição em 2012 e 2013, além do Prêmio Telefônica Vivo de Jornalismo Universitário 2012, na categoria jornalismo online.