Inconvenientes convenções

Desde nosso nascimento, somos introduzidos em meios cheios de convenções. Nossa família já possui uma história, relações, problemas e ninguém pergunta se você, uma criança, concorda com o que está sendo ensinado. Você aprende que precisa ter uma religião, que precisa gostar de alguém do sexo oposto, que precisa amar o seu primo de octogésimo grau, que precisa estudar, que precisa se formar, que precisa casar, que amor você só pode sentir por uma pessoa, que precisa ter filhos, que não pode ficar sozinho, que tem que ser monogâmico…

Quem disse? A história disse. Ou diz? Enfim. As sociedades foram construídas ao longo do tempo baseadas em relacionamentos e na simples administração deles. Relacionamentos políticos, religiosos, familiares, trabalhistas. E regras precisaram ser estabelecidas para que estes relacionamentos tivessem um curso saudável. É uma fórmula de sucesso? Óbvio que não.

Vejo, constantemente, pessoas preocupadas por não se encontrarem inseridos em configurações de vida aceitáveis pela sociedade. Tem aquele que planeja se casar sem nem gostar muito da namorada, porque “não pode ficar sozinho”; tem aquela que quer ter filhos pois “a mãe quer ser avó”, mas não sabe nem se ela mesma quer ser mãe; tem o que começa uma terapia para tentar encontrar um sentimento bom em relação a parentes de primeiro grau, pois ele “tem que amar sua família”; tem o que não conta para a mãe que é ateu, pois seria a morte para ela ter um filho que não acredita em deus.

Você tem! Você deve! Você precisa… Não! Não! Não! Como diz aquele famoso meme: “Eu não sou obrigada a nada!”. E não é mesmo! Quanto antes você entender que ao longo de 20 e poucos anos você não criou vínculos com seus tios, primos, irmãos, e que você não é um criminoso por não amá-los, mais leve será seu sono. Se você perceber que não precisa contrair casamento* só para satisfazer a uma sociedade que cobra isso constantemente, você pode se livrar de uma cilada que pode te prender numa vida infeliz até que a morte te separe de alguém. Amar duas pessoas é, sim, possível. Não é porque você não tem uma graduação que o seu restaurante vegano não vai dar certo! A sua mãe quer ser avó, mas você quer ser mãe? É ela que vai acordar de madrugada pra dar de mamar para filho? Não, né! Você está disposta a isso? Não? Então ótimo, querida!

Nos são impostas tantas convenções, que nos amarram, que nos prendem de uma forma tão brusca, que não nos permitem enxergar a infinidade de possibilidades que existem ao nosso redor. Desamarre-se! A vida é sua e você não precisa agradar ninguém além de você mesmo.

*Adoro esse termo utilizado em cerimônias. Parece que casamento é uma doença.

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