Muito me estranha essa lógica do trabalho: 8 horas por dia, 5 vezes por semana, com direito a um mês de férias, décimo terceiro e outros benefícios.
Será que foi pra isso que eu nasci? Pra isso que eu sirvo?
Certamente, entrando nessa lógica há de se encontrar serventia. E quem sabe, as críticas às minhas “saídas” se esvaziarão.
Mas e aí? É essa a fórmula da felicidade, então? Aderir a esse cotidiano… essa é a maneira de me aceitarem?
E se eu quiser plantar orgânicos, mas também colher os frutos das longas conversas com tantos indivíduos abençoados? E se eu quiser, sim, ser rico em bagagem cultural, em amigos, em risadas compartilhadas?
Será, então, meu decreto a vagabundo?
O agricultor mora longe e não tem direito a sair. Tudo o que pode é estar na roça, ou então ser açoitado pela própria consciência, que não quer ser vagabunda.