O que sustentabilidade tem a ver com a vida pública e democracia?

Hoje gostaria de falar de dois temas muito interligados, que considero importantes para o exercício da vida pública e da democracia: Sustentabilidade e governança.

Muitas pessoas associam o termo sustentabilidade ao meio ambiente e ao respeito à natureza, o que também está correto, porém o termo é muito mais amplo. Ele está ligado a tudo que é sustentável, algo que acontece hoje e continuará acontecendo no futuro, ou melhor, algo cujo acontecimento atual não pode comprometer o seu desenvolvimento futuro.

Assim, quando falamos de sustentabilidade no contexto do meio ambiente, estamos falando que devemos pensar no uso dos recursos naturais pensando na nossa geração e nas futuras. Quando falamos em sustentabilidade no contexto empresarial, estamos falando como as ações atuais da empresa devem garantir a sua existência atual e futura.

Já o conceito de governança é mais direto e está ligado às práticas que irão garantir o equilíbrio de poder entre as diversas partes interessadas. Esse equilíbrio é particularmente sensível quando as partes interessadas são diversas e numerosas. Para exemplificar, nas empresas de capital aberto há duas grandes partes interessadas: acionistas e administradores, onde os acionistas são os donos e os administradores são os profissionais que efetivamente tocam o dia a dia da empresa. Teoricamente não deveria haver conflito de interesse, porém é possível perceber que é comum ter administradores mais preocupados com o curto prazo, já que eles não sabem quanto tempo passarão na empresa, enquanto os acionistas tendem a ter uma maior preocupação no longo prazo, ou seja, em ações que garantam a sustentabilidade da empresa.

Para amenizar esse conflito, as grandes empresas criam um conselho para representar os acionistas. Esse conselho normalmente é eleito, de acordo com o estatuto da empresa, e passa ser o mediador entre os interesses dos acionistas e dos administradores. Vale ressaltar que fui muito simplista nas definições, pois existem muito mais nuances do que relatei.

O QUE ISSO TEM A VER COM A VIDA PÚBLICA?

Visto esses conceitos começamos a perceber quanto eles são importantes na vida pública e, principalmente, no exercício da democracia, pois todos nós como cidadãos devemos exigir ações que garantam a sustentabilidade da nossa cidade e país.

Devemos cobrar que as conquistas de hoje, sejam o degrau das conquistas de amanhã. Programas e obras sem qualidade, não alinhadas com o futuro e feitas apenas para ganhar eleição, decididamente não são ações sustentáveis e, em pouco tempo, cobrarão o seu preço em forma de crise, visto o que estamos vivendo atualmente no país e no estado do Rio de Janeiro.

Agora pergunto a vocês o que nós cidadãos podemos e devemos fazer para termos uma gestão sustentável da nossa cidade e país? Quem, na cidade, no estado e no país, exerce o papel de dono? E o de acionista? E o de conselheiro? E como essas partes devem ser organizadas para termos a cidade e o país que nós queremos e merecemos?