A Facilidade da Paternidade

Ednardo Soares
Sep 5, 2018 · 3 min read

Pelo título, vocês já devem ter percebido que eu e minha esposa estamos esperando nosso primeiro filho, estamos muito felizes e nos sentimos muito gratos.

Porém, como tudo em minha vida, eu não pude deixar de observar algumas coisas. Estou entrando no mundo da paternidade e embora saiba algumas coisas relacionadas a Cuidados imediatos de Recém Nascidos e Puericultura (é assim que chamamos o acompanhamento e desenvolvimento de crianças) devido a minha formação, nada se compara a sensação de que “este será o meu filho”, “eu serei pai dele”. Nenhuma consulta de Crescimento e Desenvolvimento se comparará a sensação de responsabilidade da paternidade.

E nada, absolutamente nada, se comparará a maternidade que virá para a minha esposa! Nem mesmo a responsabilidade que sinto na minha paternidade.

Eu digo isso porque socialmente e culturalmente falando, para ela, será mais difícil escutar “você será uma mãezona”, enquanto eu já escutei mais de 5 vezes que serei um paizão e sabe o que eu fiz para isso? Nada além da minha obrigação. Nada!

Eu procuro a acompanhar em todas as consultas de Pré-Natal com o nosso Enfermeiro e com o nosso Obstetra. Eu procurarei dividir com ela as tarefas com o bebê, bem como a sua educação e participação em sua vida e formação cidadã. Então, por que isso me fará ser um paizão e ela “apenas” uma mãe? Após um elogio assim, eu sempre me pergunto “e ela?”

Pessoal, não sei se vocês perceberam, mas ela está passando pelos enjoos, mudanças de humor, por todas as mudanças da gravidez, por todos os altos e baixos hormonais. Isso ainda não é o suficiente para ela também ser uma “mãezona”?

Eu entendo que é importante darmos feedback positivo para aqueles que se empenham porque eles se diferenciam da maioria, mas e quando uma outra parte não tem o reconhecimento devido também?

Ser homem é muito fácil nessa sociedade, já disse isso várias vezes, inclusive quando ocorre um aborto voluntário, neste momento, quem é vista é a mulher, mas e o homem que abandonou ou que forçou, ou que quis também? Ele não é criminalizado tanto quanto a mulher por que?

Estamos em mais da metade da gestação e quando ele nascer eu trocarei fraldas, ficarei com ele para a mãe trabalhar/estudar, procurarei conversar com ele e estar presente na vida acadêmica desde o início, tentarei ser parceiro de todas/os as/os professoras/es dele, levarei para consultas junto com a mãe ou sozinho quando ela não puder ir, me levantarei à noite para ajudá-los na amamentação e nada disso me fará um paizão, na verdade, tudo isso me fará um pai como ele realmente deveria ser.

Simples assim.

Ednardo Soares

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Enfermeiro, Esp. Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde, atualmente Prof. Substituto do Curso de Enfermagem - CAMEAM/UERN.

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