Constituição na Sala de Aula

Várias vezes já usei artigos da Constituição em aulas de Gramática ou ortografia. Às vezes escrevo alguns deles no quadro e peço para colocarem os acentos nos lugares adequados. Ou pergunto que substantivo está sendo substituído por determinado pronome. É preciso ensinar desde cedo o que é um Estado de Direito e para que serve uma Constituição.

Simplesmente, a nossa juventude não tem essa visão de questões básicas. É aterrador que tanta gente aplauda os criminosos que tatuaram a testa de um jovem ladrão. Sim, quem rouba comete um crime, mas quem tatua a testa do criminoso dizendo que ele é um ladrão é tão criminoso quanto, pois tortura também é crime e não se pode combater um crime cometendo outro.

Embora o ex-jogador de futebol Romário não seja do meu partido, aplaudo a ideia que ele teve como senador: ensinar a Constituição em sala de aula.

Ano passado, li o livro “A Guerra dos Gibis”, escrito por Gonçalo Junior e publicado pela Companhia das Letras. O livro conta dos ataques das escolas e da Igreja contra as histórias em quadrinhos, recém-introduzidas no Brasil. Em meio à polêmica, Gilberto Freyre, célebre autor de “Casa Grande & Senzala”, exercendo mandato de senador, teve a mesma ideia: que as escolas ensinassem a Constituição e sugeria que usassem para isso o recurso das histórias em quadrinhos.

Quando li esse relato no livro, telefonei para o gabinete de Romário e relatei o que li, indicando o livro que continha tal informação.

É urgente que a juventude aprende que Saúde e Educação são direitos de todos e dever do Estado, que cabe a todos nós preservarmos o meio ambiente e que Direitos Humanos são as mínimas condições necessárias para uma vida digna.