12 horas…
De segunda a sexta, trabalhe 12 horas por dia.
Acorde antes de o Sol nascer, vá à academia, mas esteja às 08h da manhã em sua mesa. Há muitos e-mails para serem respondidos, ligações a serem feitas, tabelas a serem atualizadas, enfim, uma infinidade de tarefas que não fazem muito sentido para você, mas, que de alguma forma perpetua o lucro daquele que paga seu salário no final do mês.
Volte para casa quando a Lua já tiver seu lugar no céu. Afinal, pega mal sair às 16h para fugir do trânsito, então, se torna uma rotina ficar até 20h30 no escritório.
Finalmente em casa, mas cansado demais para qualquer coisa que não seja falar somente o necessário, tomar banho e deitar. Logo, o alarme desperta novamente.
Finalmente chega o sábado, então…
Acorde cedo, faça uma especialização, mas não descuide de seu corpo, isso também é valorizado nos dias de hoje. Dê um pulo na academia.
Chegou a noite, obviamente, você merece algumas horas “para si mesmo”, então, banho, aquela roupa especial e vá passar a madrugada no lugar da moda. Volte para casa, semi-alcoolizado, exausto, querendo apenas, sua cama.
Domingo?
Bem, talvez um filme, quem sabe a visita na casa de um parente ou apenas pijama, no entanto, não se acostume com essa doce sensação de estar consigo próprio, que hoje em dia, perversamente colocaram na nossa cabeça que o nome disso é tédio.
Entretanto não se acostume com esse “tédio”.
Em poucas horas, o alarme despertará novamente.
E, lá se vai uma mais uma semana, mais um mês, alguns anos.
Anos em que a rotina foi ver o Sol nascer na pela janela de seu carro e o Sol se pôr pela janela do escritório, se você tiver a sorte de ter uma janela que permita isso no local que você decidiu passar 12 horas por dia.
12 horas por dia, 60 horas por semana, 240 horas por mês, 2.880 horas por ano, 28.880 horas em uma década.
Todo esse tempo dedicado a…
Espero, realmente, que tenha dedicado tanto tempo, esforço e energia para algo que faça sentido.
Algo que não se resuma a quitar boletos e mais boletos, alguns muitos deles, que, no final das contas, também não fazem o menor sentido.
