Pokemon Go não vai tirar sua privacidade

Pokemon Go é um fenômeno. Se é uma moda passageira ou uma nova vertente de mercado não sabemos, mas seu lançamento já é um acontecimento que quebrou a barreira de ser apenas um jogo e virou algo que com impacto social. Porém num grupo de seres humanos sempre haverá alguém para denegrir algo ou outra pessoa que atrai muita atenção. Então eis que surgem os heróis do momento bradando que Pokemon Go vai roubar nossas informações e tirar toda nossa privacidade. Tem gente falando até que seria a mais nova ferramenta da CIA. Sim, é isso mesmo. Você não leu errado.

Mas Pokemon Go não vai pegar minha informações?

Sim, Pokemon Go vai pegar informações suas, como: sua localização, nome, idade, amigos, email, número do telefone e muitas outras. Se quiser saber todas leia o famigerado termos de uso que é onde você mesmo permite à Niantic (produtora do jogo) fazer o que achar melhor com seus dados coletados.

Ue? Mas isso vai tirar a minha privacidade!

Não, não vai. Sabe por que? Essa sua privacidade não existe mais e não é possível tirar de alguém o que aquela pessoa não tem.

Estamos em 2016, a década de 80 ficou para trás assim como o sigilo de seus dados. É certo que o mundo inteiro não tem seus dados, são pouquíssimas empresas/pessoas que tem acesso a eles, mas essas pessoas existem e elas trabalham com os seus, meus e os dados de todos nós. Ações de marketing são traçados a partir deles. Pode apostar que cada produto que uma grande empresa lança passa por uma análise de mercado que em alguma parte dela leva em consideração algum banco de dados de comportamento de pessoas. Estão tentando praticar o que Steve Jobs ensinou: disponibilizar às pessoas o que elas não sabiam que desejavam. Analisar o que as pessoas fazem e o que as atrai é parte desse conceito.

Como as empresas conseguem nossas informações? Muitas delas compram informações de outras empresas, como administradoras de cartões de crédito, bancos e telefônicas, entre outras. Esse é um meio ilegal na maioria dos países desenvolvidos. No Brasil não há uma legislação específica para isso, no momento temos apenas um Projeto de Lei do Senado nº 181/14 que está em tramitação e sem previsão de ser votado e homologado… para variar um pouco.

O que a maioria das pessoas ignora é que existem formas que as empresas conseguem essas informações fornecidas pelo próprio detentor delas. A primeira são as redes sociais: quando você faz seu perfil em qualquer rede social e declara concordar com os termos de uso, a empresa que gerencia a ferramenta pode usar da forma que quiser seus dados. Suas fotos, textos, vídeos, onde esteve, quando, páginas que visitou, quanto tempo gastou nelas, aonde clicou, para onde foi, etc. Tudo é seu e deles. Outro que usa a mesma tática são os provedores de email. Tudo que você coloca no correio eletrônico pode ser usado por eles. TU-DO.

Não para ai, lembre-se, estamos em 2016. Passamos da metade inclusive. Tem um celular? Saiba que a Google e a Apple dispõem da mesma ferramenta que grava todos os lugares onde um celular, que roda um de seus sistemas operacionais, vai. A não ser que você saia sem celular rotineiramente, eles tem todos os seus caminhos em todos os dias. Hoje existem pessoa afirmando que a Google use os celulares para gravar conversas próximas ao aparelho sem que o usuário saiba e depois disponibilizar anúncios nos aparelhos de acordo com o que foi conversado. E como último exemplo, podemos citar o rastreamento de compras feitas no cartão de crédito. Essa é tão clássica que vemos até em filme.

Veja, essas são apenas algumas formas que as empresas usam para coletar seus dados. Existem outros. Então, podemos chegar à conclusão que essa ressalva sobre Pokemon Go coletar seus dados é uma luta perdida. É como falar para uma pessoa de 200 kg não tomar uma lata de refrigerante porque engorda. É jogar jogar um balde d’água num incêndio florestal. Mais um vez: estamos em 2016. Nossos dados são parte da engrenagem que faz a economia girar. Já está tudo integrado, não existe mais volta. Então, ou você vive o mundo atual e aceita que sua privacidade não é mais aquela de 30 anos atrás, ou volta a 1980 e vive sem celular, internet, banco eletrônico e todas as facilidades atuais. Boa sorte!

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