Sobre o Fogo Amigo e as formas de fazer política


Aprendi com um amigo escritor que as bandeiras surgiram com as guerras. Eram um escudo contra o fogo-amigo: como cada exército exibia suas cores na hora de fazer a pontaria os soldados sabiam distinguir o alvo entre os inimigos e aliados.

Durante muito tempo alvejar um aliado em meio ao campo de batalha era reprovável mesmo na ética da guerra. Essa ideia mudou com o pensamento do estrategista militar, General Clausewitz, que subordinou as táticas a estratégia.

Em outras palavras, acertar um aliado tornou-se aceitável se o objetivo for desgastar ou atingir um adversário. É claro que a ideia de que os fins justificavam os meios já havia sido descrita por Maquiavel bem antes, mas foi com Clausewitz que ela ganhou forma militar.

O problema de quem adota esse método na política – o de atingir amigos e inimigos indistintamente – é passar a não mais distinguir um do outro. Aí então, “amigo” é aquele que está de acordo com a minha tática do momento e “inimigo” todo aquele que não colabora diretamente com o meu projeto ou não age de acordo com os meus interesses.

Fazer política usando do Fogo Amigo como meio é legitimar a premissa de Clausewitz de que a política é uma continuação da guerra por outros meios.

Nós, “os mudancistas” que somos os que almejam reformas econômicas e sociais profundas, temos o dever de utilizar formas mais sofisticadas de fazer política.

Recentemente, as bandeiras ganharam outro significado: ao invés de pano, são feitas de ideias. E representam posições em disputa na área pública.

No contexto atual (de muita confusão e incertezas) atingir amigos que impunham as mesmas bandeiras há muito tempo a pretexto de combater o “inimigo principal” não é nem correto e sequer eficiente para o nosso objetivo estratégico maior que é a defesa da vida.

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