Precisamos de Universidades?

Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg têm em comum duas questões. A primeira é a não conclusão da formação universitária. Recentemente o investidor Peter Thiel (fundador do PayPal e guru americano de tecnologia) disse — e repetidamente — que um diploma universitário já não serve para absolutamente nada. De acordo com ele, as pessoas começarão a estudar de formas diferentes e os diplomas pouco a pouco perderão seu valor. Muitos amigos empreendedores, após longos anos de suor, lágrimas e esforço também “chegaram lá” sem nunca terem concluído um curso superior. Fica a questão: Ainda precisamos de universidades?

De algumas sim. De outras não. Não precisamos da velha instituição onde os mestres (professores) transmitem um ensinamento aos seus discípulos (alunos) e ponto final. Essa universidade morreu — mas ainda viverá em alguns contextos. A transmissão do conhecimento pré-existente é importante. Mas este papel pode — e deve — ser realizado por outros canais, sejam eles presenciais ou não.

É inquestionável que o surgimento das universidade foi uma grande inovação. As primeiras apareceram na Europa medieval, durante o renascimento do Século XII. A organização universitária mudou muito ao longo do renascimento até chegar aos dias atuais. Porém, está claro que o conhecimento não está preso dentro da Universidade atualmente. O conhecimento é livre. Ele surge nas redes. Nas startups. Nas grandes empresas. O conhecimento está livre, leve e solto.

Um parêntese para pensar: O ser humano não existe como um ser isolado no tempo e espaço. Ele nasce dependente de outras pessoas para a sua sobrevivência. É, foi e será produto de suas relações. As interações entre os indivíduos e deles com os grupos geram oportunidades incríveis. É claro que o novo — e seja lá o que for o novo e aqui podemos usar a conectividade como novo — transforma a maneira como vivemos e interagimos. O novo sempre moldará o cenário por meio de mudanças no perfil das pessoas exigindo, assim, novos produtos e serviços. E isto inclui as Universidades.

As universidade precisam ser repensadas. (E elas estão sendo!) O surgimento de projetos como o Coursera ou EdX caracteriza que algumas universidades já entenderam o novo contexto. O Vale do Silício com certeza não seria o que é sem a Universidade de Stanford.

O sociólogo italiano Domenico de Mase diz “o conhecimento científico dos mecanismos que regulam a vida e a organização das equipes ligadas a trabalho predominantemente idealizadores, sabendo que eles ocuparão uma posição cada vez mais significativa na economia”. A ênfase aqui é em organizações criativas. As universidades são criativas. A Universidade continuará sendo um dos motores da inovação se não ficar presa em um único lugar físico. Apesar dele continuar lá e ser importante. Ela surgirá em diversos lugares, sejam eles físicos ou virtuais. A universidade não é um local. Mas sim uma filosofia de vida. E esta filosofia tem vida longa.

Já estava esquecendo o segundo ponto em comum entre o trio citado no início do texto. Eles são gênios! Zuckerberg, por exemplo, ganhou vários prêmios em ciências da astronomia, matemática e física. Nos estudos clássicos, Mark aprendeu a ler e escrever francês, hebraico, latim e grego. E tudo isto ainda no colégio. E são poucos que nascem gênios!

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