Moral da história

Turmas de todo ensino médio do Colégio Estadual Júlio de Castilhos têm a oportunidade de participar do projeto de leitura
Texto por Manuela Neves
É em um carrinho de feira decorado que começa a atividade. Nele, a educadora de português e literatura carrega diversas obras literárias a caminho da sala de aula. Todo trimestre desde 2018 a professora Aline Machado em parceria com a Biblioteca Moacyr Scliar, do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, organiza o Projeto de Leitura. Assim, parte da aula de literatura do 1º ao 3º ano do Ensino Médio é dedicada à leitura. Os títulos são variados: de best-sellers a célebres nomes da literatura brasileira. Ainda, os estudantes têm liberdade na escolha das obras, o único critério é que seja um livro de literatura: romance, conto ou poesia. O aluno do 1º ano do Ensino Médio, Guylherme, de 17 anos, mostra empolgação ao falar sobre a obra Para Gostar de Ler, escolhida por ele. Sobre o projeto, o menino fala

Dentre os tipos de narrativas, os mais escolhidos são o conto e o romance, visto a complexidade e maior necessidade de interpretação da poesia. Ainda, ao fim de cada semestre os alunos são convidados a apresentarem o livro lido e no caso da poesia são instigados por Aline a lerem os poemas. Embora haja críticas negativas de alguns dos estudantes, no geral as turmas se comprometem com a iniciativa e leiem os livros, estes podendo ser tanto da professora e da biblioteca como algum livro seu ou emprestado. Guylherme também opina que sem o incentivo na aula, ele e os colegas provavelmente não leriam.
Na visão do estudante, a pequena turma do 1º ano demonstrou mudanças positivas quanto o olhar sobre a literatura. Aline entende que o gosto se constrói a partir do hábito da leitura, assim os alunos recebem um tempo destinado a atividade dentro do espaço escolar. Isso inclusive é um atrativo, pois é o momento da semana no qual não precisam realizar trabalhos semelhantes aos das demais disciplinas.

John Lucas completa com uma comparação relacionada à experiência, ou à falta de experiência, literária que teve nos colégios anteriores em que estudou. O aluno acredita que, além de prazerosa, a iniciativa auxilia no desempenho escolar.
Ainda, há a participação da biblioteca do colégio no projeto: mesmo que marque presença física, a maior parte dos títulos utilizados são do espaço. Assim, os estudantes desfrutam da leitura em aula, mas só podem levá-las para casa após se cadastrarem na biblioteca. A aluna Thalita, de 17 anos como seus colegas, costuma passar o tempo do intervalo, o recreio, nesse local. Durante este ano, leu três livros e agora está terminando em aula O futuro da humanidade, de Augusto Cury.

No ambiente da aula não há lugar para ‘não gostos’, fazendo com que todos quebrem a barreira com a literatura que às vezes parece distante. Como um incentivo para a quebra de preconceitos, a educadora pontua as leituras e faz pontuações extras para as apresentações. “Isso ajuda a desenvolver nossa mente na aula, qualquer outra matéria”, opina Guylherme.
