Prestem atenção na fanbase — Parte 1 (ou “Por que devemos apoiar Bloodstained”)

Imagem meramente ilustrativa, segundo a campanha no Kickstarter. Bem que eu achei que estava faltando sangue.

Acredito não ser novidade para ninguém que a Konami, enquanto empresa de games, é a maior piada dos últimos anos (inclusive, Jim Sterling passou um bom tempo nos lembrando deste fato com seu #FucKonami News) e talvez este texto pareça chutar um cachorro morto, mas enquanto gamer, decidi começar este ano novo (e começar a escrever textos no Medium) admirando as possibilidades de mudança da maneira das empresas perceberem os jogadores. Enfim, sem mais delongas, vou direto ao tema deste texto: Castlevania (e Bloodstained).

Primeiramente, Castlevania é uma série deveras antiga (o primeiro saiu no Japão em 1986), mas o mais famoso (vulgo o que basicamente definiu a “essência” da franquia) foi o Symphony of the Night, produzido pelo Koji Igarashi. Por que isto é importante? Vamos nessa. Igarashi foi responsável por basicamente QUATORZE edições do Castlevania, todos aclamados pela crítica ou muito bem recebidos (exceto o Castlevania Judgement, mas quem mandou botar Castlevania no nome de um jogo de luta ao invés de um com ação e exploração, Igarashi?). No entanto, os mais recentes, da sub-franquia Lords of Shadow, já não estavam com ele (como se pode ver aqui e aqui).

Até aí, tudo bem. A gente se depara apenas com uma situação chata que aconteceu porque se desejava manter a série “viva” visto que o número de vendas estava caindo, como falou Dave Cox, produtor-chefe dos Castlevanias posteriores. Sendo bem específico, os últimos Castlevanias de Koji Igarashi foram, em ordem do mais velho ao mais recente, Order of Ecclesia (NDS — 2008), Judgement (Wii, fora do gênero, mas Castlevania ainda assim — 2008), The Adventure: ReBirth (WiiWare, que não era uma plataforma boa de vendas, mas enfim, existia — 2009) e Harmony of Despair (XBox Live Arcade — 2010, PSN — 2011). Então nós temos uma série que se tornou repetitiva e não lançava com foco em plataformas poderosas (ou lançava sem foco na essência de ação e exploração no caso do Judgement).

Nós percebemos o problema quando não se vê um lançamento grande de Castlevania que mantivesse o aspecto explorativo para PlayStation3 ou XBox 360, só pelas suas respectivas lojas digitais, que não tinham tanta força como têm hoje. Podiam ser jogos mais baratos, mas lhes faltava destaque. Faltava-lhes o foco em fazê-los como se fez os Lords of Shadow (lançados para que mesmo? Ah, é: PS3, X360 e PC). No final das contas, o que faltava ao Castlevania me parece mais ser lançado com destaque (ou conservando o gênero ao invés de lançamentos mais experimentais no Wii), mas infelizmente não temos como nos certificarmos disto. O relevante é: Igarashi foi removido para fazer jogos com um apelo mais social enquanto Castlevania era redesenhado por causa de maus lançamentos em más plataformas no passado (não que o Nintendo Wii fosse uma má plataforma, pelo contrário, ele merecia um jogo melhor da franquia). Enquanto isso, Koji Igarashi produziu “jogos sociais” para a Konami.

Em 2014, uma bomba explode: Koji Igarashi sai da Konami para fazer jogos que os fãs estavam pedindo a ele para fazer. Traduzindo uma pequena parte do que ele falou no link que coloquei neste parágrafo:

Eu fiquei recebendo mensagens de fãs, por Facebook e tal, me dizendo que eles queriam que eu fizesse jogos similares aos anteriores. As pessoas que curtem os meus games tendem a jogar os mais tradicionais. Ora, eu estou nos meus quarenta e poucos anos. Se eu não for agir por mim mesmo agora, quando agirei? As vozes dos fãs só ficariam mais fracas ao longo do tempo.

O resto do artigo vale muito a pena de ser lido, mas isto mostra uma coisa interessante: por mais que os novos Castlevania tivessem um bom resultado, ainda havia uma sensação, por parte dos fãs, de algo faltando. Com isto, Igarashi ficou sumido por um tempo, preparando seu jogo baseado em Castlevania…

O filho da mãe fez suspense por apenas uma semana, mas me pareceu durar um mês.

Em meados de Maio do ano passado, 2015 (sim, galera, estamos em 2016), um amigo meu me manda um link peculiar: “Sword or Whip”, um site que tinha o design ao lado (caso você não tenha visto por algum motivo obscuro e vergonhoso). Fiquei sem entender apesar de achar a arte do site parecida com a de Castlevania, mas não me liguei no que seria (verdade seja dita, cheguei a pensar que fosse um site da Useless Web antes de ler o “#Igavania Mania” e o teaser da data). Quando, de repente, surgiu uma mensagem entre os cliques de meu amigo: “What a horrible night to be kickstarted” ou algo que o valha. Aquilo matou a charada de uma campanha no Kickstarter para o sucessor de Castlevania, mas havia um problema… Castlevania era da KONAMI e não de Koji Igarashi. Logo, nos depararíamos com uma coisa nova, mas aí a parte divertida começou: o que ele faria? Qual a ideia desse novo jogo?

Notem que isto tudo aconteceu no espaço de uma semana, pois na semana seguinte, Igarashi lança a campanha no Kickstarter desta belezinha aqui:

O vídeo da campanha é bem esclarecedor e explicativo. Vejam-no porque vale a pena!

Esta seria a hora de Igarashi mostrar se o estilo antigo do Castlevania era ou não de interesse aos fãs e… Bem… Acho que as seguintes imagens do Kickstarter dizem tudo:

Um dia depois da campanha ser iniciada, o projeto já tinha sido financiado com sucesso.
Um mês depois, o projeto já tinha dado uma épica tapa na cara da Konami arrecadando mais de 5,5 milhões de dólares.

A priori, eu pensei “Ah, é o sucessor espiritual de Castlevania. Era lógico que ia fazer um sucesso desses (e servir de uma bela tapa na cara da Konami).” Todavia, não foi só isto. Koji Igarashi soube chamar atenção e gerar o interesse nos potenciais investidores antes mesmo da campanha ser criada, mas antes mesmo disso, ele fez uma coisa que a Konami não fez (e não vem fazendo faz algum tempo, como podemos perceber pelos anúncios dos próximos Castlevania e Silent Hill em forma de máquinas caça-níqueis), que foi ouvir os fãs. Se ele tivesse ficado calado e continuado a trabalhar nos jogos que a Konami quisesse, longe do Castlevania, o Bloodstained não existiria e as vozes dos fãs se tornariam “mais fracas ao longo do tempo”.

Ainda é cedo para dizer se Koji Igarashi vai fazer do projeto um sucesso realmente estrondoso o qual prove que este gênero não está saturado e ainda é capaz de trazer dinheiro (sim, galera, vamos nos lembrar de que desenvolvedores também têm contas a pagar e diversões a curtir, então um projeto que dê dinheiro é deveras importante), mas eu vou apostar no sucesso e definitivamente comprarei o jogo quando sair. Tudo o que ele já fez mostrou uma determinação em ver o projeto sair do papel e o sucesso no Kickstarter foi um reflexo gritante disto. Por isso, galera, vamos nos preparar porque o Bloodstained vai ser lançado em breve!

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