não tenho paciência pra televisão

Não deveria estar escrevendo esse texto. Não deveria nem estar com o facebook aberto no trabalho. Mas hoje o dia está mais calmo e estive percorrendo as minhas timelines do instagram e do facebook. Inúmeros textos já foram escritos sobre isso e eu provavelmente não vou falar nenhuma novidade. E nem estou acima ou alheia a nada disso que vou escrever, mas fiquei incomodada e tive que fazer uma colocação sobre o assunto.

Enquanto percorria meu instagram, uma conhecida postou uma foto com um cara, que eu não sei se era amigo, namorado, enfim, ela colocou na legenda da foto que aquele era o carinha x, que ela chamou de ex alma gêmea e que eles já tinham tido muitos encontros na vida, uma longa história de amor, que aquilo já tinha acabado e que quis postar porque estava com saudades. Achei bonito (e também tanto faz o que eu achei) que ela simplesmente quis postar uma foto que ela gosta com alguém pelo qual eu imagino que ela ainda tenha carinho mesmo que eles não estejam mais juntos, e bom, talvez até por falta de legenda melhor, ela explicou para nós telespectadores de seu instagram quem era o cara e porque ela tava postando.

Aí eu fiquei pensando na minha própria vida pessoal e na última semana que tenho contado pra todo mundo que encontro sobre os meus dilemas amorosos e tentando encontrar uma razão pros meus próprios sentimentos confusos, justificando meus atos e sentimentos, como se meus amigos fossem mesmo, telespectadores da minha vida. Explicando e buscando — nem sei se — aprovação ou ao menos compreensão sobre as minhas escolhas e decisões. E como não, se estamos sempre acompanhando e esperando os próximos episódios das nossas telenovelas nas histórias do instagram? Como se já não bastassem as fotos (e filtros) fazerem a grama do vizinho parecerem 10x mais verde, as histórias (incluindo a opção AO VIVO) se tornaram fonte das minhas ansiedades, de não estar nem lá nem cá, de querer estar em todos os lugares, fazer tudo, enquanto parece que todos estão se divertindo mais do que eu. Enfim, parece que virou uma competição de quem está tendo o melhor dia, ou o pior (de forma irreverente e engraçada, claro) ou o mais bonito, ou em lugares mais descolados, com a melhor vista, com o melhor emprego, os melhores amigos.

Ave. Que canseira que dá, e quanto tempo a gente perde se justificando pro mundo, e mais ainda de sofrer por não estar nos divertindo tanto quanto aquele semi-conhecido que tá filmando a cara na balada.

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