Uma vez, ou melhor, algumas vezes, me disseram que para se escrever bem, para se ter inspiração era preciso se apaixonar primeiro. A partir daí, tudo seria mágico, as palavras fariam sentido e eu saberia escolher e organizar cada uma delas com perfeição, eu viraria uma Lispector, um Bukowski, um Wilde. Quem dera.

Tempos depois, eu me apaixonei pela pessoa que me disse isso, mas a minha relação com a escrita não ficou melhor e mais magnífica depois disso. Eu não me tornei uma escritora nata. Eu não escrevi ou bolei rimas e crônicas maravilhosas. Meus textos e palavras continuaram apenas textos e palavras. Apenas mais um amontoada da bagunça que eu sou, não importa o quanto eu tente arrumar. Meu coração, meu guarda-roupas, minha cabeça e minha cama sempre serão uma confusão. Coisa de gente profunda demais, talvez.

Agora eu estou, mais uma vez, segurando este celular e escrevendo algumas palavras que não parecem fazer sentido. Nem mesmo esse texto faz, mas mesmo não fazendo sentido, há uma história por trás dele. Então, talvez, para que ele possa ser entendido eu deva explicar a história.

Eu nunca fui muito boa em nada. Nunca falei direito. Inclusive, sempre precisava de inúmeras preparações de frente ao espelho do banheiro quando queria falar com minha mãe. Até hoje faço isso, quando preciso de algo que sei que talvez ela não aprove, mas não só com minha mãe, basicamente, monto diálogos com todo mundo, e me decepciono sempre que eles seguem o planejamento. Bobo, não é mesmo?

Eu também nunca fui boa lidando com pessoas. Elas sempre se afastam, e eu nunca chego a conclusão do porquê. As pessoas simplesmente chegam. Ficam por um tempo. E somem. Sem motivos. Sem discussões. Sem saudações. Sem pedido de desculpa. Ou adeus. Apenas vão. As vezes, me pergunto se isso não é uma vantagem. Sem adeus, sem despedidas, apenas o corte seco da relação. Sem as lágrimas nos cantos dos olhos vendo as pessoas se afastando de mim.

Talvez por não lidar com as pessoas eu não saiba lidar comigo mesma. Talvez seja por isso que me encontro em tantas crises. Deve ser por isso que passo dias e semanas a fio tomada por uma tristeza que não deveria ser minha. Deve ser por isso que a vida se torna tão deprimente para mim. E deve ser por isso que eu vejo algumas coisas de forma tão enevoada. É bem triste que eu não consiga sair desse ciclo de tristeza que vez ou outra me acolhe em seus braços quentes, acolhedores e familiares. Na verdade, é triste que eu me sinta acolhida e aquecida nesses braços.

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