Fado ou Fardo

Eu escrevo uma estória da qual não participo
Vivo fadado ao destino e àquilo que quero intimamente
É como se não houvesse uma escolha aqui dentro, sabe?
Então, dou adeus às páginas brancas e meio escritas
Que seja feita a vontade, que seja feito como sempre

A culpa é dessa inerente ânsia por ser perfeito
Não pessoal ―longe ― vez que a distância é planetária
Verdade, meu lápis preto e canetas não têm um traço limpo
E no desejo do capricho, eles brigam por não se aceitar
É o preço que se paga, é o que se apaga pelo apreço

Até perguntaram se seria diferente no inglês ou no francês
Em bom português ― Esqueça, nem na França se daria!
Não sou escritor exilado, destilado, ou de um outro viés
Aprendi apenas o que tanto pontos ou vírgulas fariam
Com quem os troca pelas mãos, quem os troca pelos pés

Mas digno de todo fim de estrofe ou final dum verso
Seja tinta, grafite, nanquim, até de carvão um rastro
As palavras ainda se permitirão às rimas pobres
E se dizem que o bom escritor nada escreve em vão
Do contrário digo, mérito somente de quem é escrivão