No trânsito de Ulaanbaatar
Ulaanbaatar é uma cidade com 1,6 milhão de habitantes, mas parece ter muito mais. Ficamos ontem 3 horas no trânsito para andar 5 quilômetros — em toda a nossa viagem e considerando São Paulo, nunca vi um trânsito assim. E era no meio da tarde! Uma das causas para tanto trânsito é a configuração da cidade. Ulaanbaatar não tem ruas; apenas avenidas e vielas. Você sai de uma avenida com 3 faixas de cada lado e entra diretamente em uma viela onde mal cabe o carro, e sem calçadas — o carro tem de disputar o espaço com o pedestre. E com outros carros também, afinal só há semáforos nas principais avenidas.

Outro motivo para tanto congestionamento é a falta de transporte público. Há apenas alguns ônibus na cidade e não há metrô nem bonde. Isso faz com que Ulaanbaatar seja o pior pesadelo do Uber: para suprir a falta de transporte público, qualquer carro vira táxi. A coisa é simples: você está indo a um lugar qualquer e, no caminho, vê uma pessoa com o braço levantado. Você para e pergunta para onde ela quer ir; se os destinos baterem, pronto, você está sendo remunerado pela carona. Seu odômetro vira o taxímetro: mil tugriks (a moeda da Mongólia) por cada quilômetro rodado. O problema é ficar na calçada com o braço estendido por um tempão, já que não dá para distinguir carro de táxi e, se você abaixar o braço, pode perder uma carona.
A cidade tem basicamente três tipos de carros: os muito novos, os muito velhos e os híbridos, que podem ser novos e velhos. Em comum, todos estes carros são japoneses. E se Ulaanbaatar é o pesadelo do Uber, pode ser também o sonho da Califórnia: eu nunca vi tantos carros híbridos andando em uma cidade como eu vi aqui. O motivo é simples: a Mongólia não tem fábrica de carros e precisa importar, principalmente do Japão. Ao importar um veículo convencional, há dois impostos: o da compra e o do motor, quanto mais potente, maior o imposto. Carros híbridos, porém, não pagam o imposto sobre motor, porque poluem menos. Por isso, acabam sendo mais baratos do que os demais carros.
Ulaanbaatar, por ser a capital, concentra mais da metade da população total do país. São 3 milhões de mongóis vivendo no 18° maior país do mundo — a Mongólia possui a menor densidade populacional do planeta. Ulaanbaatar é considerada a capital mais fria do globo. Agora, no verão, faz 7°C e o céu é completamente cinza. E apesar de tudo isso, o mongol é gente fina pacas.