Declaração de Voto

Sou jovem, da "velha" classe média, economista, funcionário público estável do Estado do Rio de Janeiro, morador da Zona Sul. Nunca recebi nenhuma ajuda de nenhum programa social. Adoro viajar para os Estados Unidos. Assim sendo, sou o típico eleitorado do Aécio Neves e do PSDB. Porém, não se engane. Sou eleitor do PT, desde sempre.

Antes de tudo: política não é brincadeira, nem todos os políticos são iguais. Existe esquerda e direita, sim. Não caia na tentação de reduzir tudo a conceitos simplórios, que só existem para empobrecer o debate.

O meu voto não é definido por interesses pessoais. Governo, para mim, em um país como o Brasil, tem uma função primordial: zelar pela vida dos mais necessitados, daqueles que nascem fadados a apenas sobreviver no mundo.

Aqueles invisíveis aos olhos da nossa sociedade, que precisam receber uma quantia ínfima como a do Bolsa-Família para que possam tomar decisões simplórias como a do que comprar em um supermercado — e, com isso, aumentarem a sua auto-estima, percebendo-se como participantes, pela primeira vez, de uma sociedade que, até então, eles só ouviam falar.

Aqueles que precisam de cota para entrar em uma universidade pública, onde só uma elite intelectual conseguia se inserir. E, com a cota, podendo ter acesso ao que de mais fundamental existe para que um ser humano possa se desenvolver: uma educação de alta qualidade e um universo em que as pessoas têm avidez pelo conhecimento.

Aqueles que precisam de um programa como o "Minha Casa, Minha Vida" para poderem realizar o sonho da casa própria, em um momento em que a especulação fundiária dita os preços altíssimos desse sonho.

Qualquer um que faz uma análise intelectual honesta registra que o país avançou muito socialmente nos últimos anos. Porém, dado o atraso socioeconômico em que vivíamos, esse avanço não é suficiente para que abandonemos os programas sociais. O momento não é de retrocesso, e sim de avanço contínuo. Se o tempo da sociedade não é o tempo da internet — ou seja, demora para que as melhorias sejam percebidas, ainda demorará um tempo para que o país possa atingir seu pleno potencial, realçado por todos desde sempre. Se ainda não somos o país do presente, já deixamos de ser o país do futuro.

Assim, dois projetos políticos se colocam: um que prioriza os ganhos sociais acima de qualquer coisa; e outro que prioriza os ganhos econômicos, mas com potenciais custos sociais. A minha escolha é clara.

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