O Tubarão de 12 Milhões de Dólares.

É uma das obras conceituais que mais faz sentido no mercado de arte comercial.

"A Impossibilidade da Morte na Mente de Alguém Vivo". Não é incrível? O título da peça dá sentido à obra. Idealizada por Damien Hirst, considerado pela Revista ArtReview em 2005 como "a pessoa mais poderosa do mundo das artes". Trata-se de um tubarão morto, — por óbvio e para alívio do comprador Steve Cohen, capturado na costa da Austrália e conservado em formol. A peça foi encomendada pelo colecionador Charles Saatchi por 50 mil libras e vendida para Cohen por 12 milhões de dólares.

Mas quem paga 12 milhões de dólares por um tubarão em decomposição?

O morador do endereço de luxo da Rua 2000, esquina com a Av. Brasil em Balneário Camboriú que não é. Apesar de morar em um apartamento avaliado em 4 milhões de reais — na planta. E não é que o super rico em questão não tem mais onde gastar o dinheiro e resolveu comprar arte. Muito pelo contrário: a arte é o investimento seguro dos que enriqueceram recentemente. Bolsas de valores foram a pique e bancos quebraram, porém, o valor da arte moderna só aumentou.

Para entender o contexto do preço de 12 milhões de dólares é preciso saber o quão ricos são os ricos de verdade. Suponhamos que Steve Cohen tenha um patrimônio líquido de U$ 4 bi, com renda anual de U$ 500 milhões (impostos a abater). A uma taxa de retorno de 10% — muito menos do que ele realmente ganha sobre os ativos que administra — , sua renda total passa de U$ 16 milhões por semana, 90 mil por hora. O tubarão lhe custou a receita de cinco dias.

O que torna valiosa uma determinada obra, e qual a mágica para que se calcule seu valor em 12 milhões ou 100 milhões de dólares em vez de, digamos, 250 mil? Dinheiro, luxúria e enaltecimento pessoal pela posse são três elementos importantes no mundo da arte contemporânea. Os especialistas das casas de leilão e os marchands — os atravessadores do mundo da arte— não se dizem capazes de identificar ou definir qual a obra de arte que valerá milhões.

O preço é o que alguém se dispõe a pagar, e em particular dizem que comprar arte a preços altíssimos é um torneio jogado pelos super milionários, no qual o prêmio é publicidade e prestígio cultural.