Transformar fraqueza em Ética

Um tirano é um fraco e impotente que desrespeita uma série de regras (não roubar, não matar, não depredar patrimônio dum outro ser, não impedir o direito de ir e vir) e que foi defendido, protegido e até idolatrado por um bando, partido ou autoridade igualmente fraca.

É um adulto infantilizado que transforma seu ego e insegurança em Poder e Soberba. Sempre tramando para obter vantagens indevidas, para ser superior e especial. Submete outros à seus caprichos, domínio e controle. Ele tem um prazer enorme em tomar do outro o que não é dele.

Um ético é aquele que, quando se percebe fraco, aumenta por si só a força e capacidade para pensar. Que decide construir sua existência a partir do desenvolvimento de suas virtudes e competências. Que produzir sem roubar, matar ou depredar. Não transfere suas ilegalidades, irresponsabilidades e incompetências aos outros. Não precisa ser superior, nem dominar e obedecer ninguém.

É adulto suficiente para assumir seus erros e consequências de seus atos. Não toma dinheiro, tempo e amor que não é seu.

É alguém que se esforça para lidar com seu ego e insegurança, transformando-os em Potência. Em direito de ser livre, autônomo e resiliente, respeitando sempre o direito do outro.

Um tirano se ofende ao ver alguém voar. Invejoso, quer prender o poder liberto do outro para, de alguma forma ganhar vantagem sobre isso. E ainda vai chamar de amor a sua intenção de posse.

Um ético se alegra ao ver alguém voar. Curioso e respeitoso, quer conversar e aprender como consegue adquirir tal capacidade.

É o que Espinosa diria da diferença entre encontros de alegria/potência e encontros de tristeza/poder.

A diferença entre sugar e roubar as energias dos outros e a capacidade de superar a infantilidade do ego, produzindo a si mesmo como um ser produtivo, autônomo e sempre justo com o próximo.