Vi muita gente ironizando a escolha de Dylan como Nobel citando trechos avulsos que não sobreviviam…
Carlos André Moreira
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Agradeço o elogio, Carlos!

Eu fiquei cansado de ler sempre as mesmas discussões: “não merece porque é músico”, “não merece porque não escreveu livros”, “não merece porque não é poeta”, etc. Embora seja possível, sim, separar recursos literários de recursos puramente poéticos, é impossível separar a poesia da literatura.

As reclamações dão a entender que a linguagem músico-poética é inferior (ou, tomadas as suas partes separadas, incompleta) se comparada à linguagem literária. Se voltássemos uns 600 anos no tempo, veríamos um inglês ainda lutando para se formar, enfrentando não só influências latinas e francesas na língua, como se dividindo entre uma linguagem erudita e uma popular. Os detratores do Nobel do Dylan parecem fazer essa mesma dicotomia entre o verdadeira e supostamente literário, que seria superior, e a literatura de alcance popular, que seria inferior. Isso não dá em nada.

Pra quem quiser conhecer outros poetas ganhadores do Nobel, sugiro Wisława Szymborska (que tem duas coletâneas de poesias traduzidas: “Poemas” e “Um amor feliz”), T. S. Eliot (saiu uma reedição das traduções do Ivan Junqueira pela Livraria Cultura, mas confesso que não gostei do pouco que li; inclusive, meu projeto de mestrado é fazer uma tradução comentada de “The Waste Land”) e William Butler Yeats (a única antologia que eu conheço é a do Paulo Vizioli; tive a felicidade de conhecer o Yeats ao traduzir pouquíssimos de suas poemas alguns anos atrás para um projeto de faculdade e sempre o recomendo quando posso).

E, pra terminar, que Leonard Cohen ganhe também em breve!

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