Prisão

O que pensava agora pouco?

Arre! já não consigo lembrar

memórias escorregam sorridentes

por entre os dedos,

fitam-me já distantes

e zombam pelo roubo dos segredos.

-

Mas o que isso quer dizer?

memórias de outrora

escapam de minha mente,

Impossível, ainda me pertencem!

Ou conseguiram fugir do escafandro

em que habito eternamente?

-

Não se vão, por favor!

vocês não compreendem,

não quero mais saber

das lembranças de antigamente,

-

Eu imploro, súplico que digam!

Apenas contem-me,

como posso escapar

desta maldita prisão,

onde reside minha mente?

-

Se foram…

já não as vejo mais,

desvaneceram-se como névoa,

deixaram apenas

incerteza e angústia…

-

Ufanas, não perceberam

que eu apenas queria saber

como fugir desta carne vil

onde apodreço lentamente.

**

Eduardo Furlan

Melancolia poética

Sou Eu, sou Eu que me extraio do nada a que aspiro: o ódio, a repugnância de existir, são outras tantas maneiras de me fazer existir, de me embrenhar na existência.
Sartre