Visita

Lembro das festas esquecidas

dos lobos meninos perdidos,

quando celebravam o dia dos meus anos,

o recreio era o rei dos instantes

e havia mais parentes vivos.

Não conhecia os mistérios da carne,

e a política não havia sido inventada

nem as contas,

nem a morte.

No retrato antigo na parede de madeira velha

minha vó e vô casavam

festejavam o dia dos seus anos,

dos escondidos beijos no quarto espiado

para flores anuais num cemitério vago,

e juntos permanecem,

na parede de madeira velha,

da casa dos pães de Maria

que ainda em sonhos visito

todo santo dia.

Que sei eu desta vida?

Já não passam-me os dias

somam-se os anos…

agrupados

desperdiçados

incompreendidos.

Envelheço e sinto envelhecer

não pela soma das horas,

mas pela saudade cortante

que sinto no agora.

**

Eduardo Furlan

Anthony Scullion
“Passei por ti sem que te visse
Vi-te depois de ti não ver
O lembrar traz à superfície
O que o olhar deixa perder. ”

Fernando Pessoa

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