
Dos erros que a gente comete;
Das desculpas que seguem, das inúmeras tentativas de fazer com que algo dê certo, de todas as vezes que você pensou ter dado seu máximo para agradar alguém e viu-se congelado em uma situação inusitada, do desespero que isso causou e daquelas inúmeras noites que você ficou remoendo o erro e tentando entender porque com você nada dava certo.
De todos os acontecimentos que te fizeram desistir de um sonho bobo, de uma conquista diária que parecia tão inútil, porém agora é cada vez mais rara, de todas as vezes que você se sentia útil e prestativo, mas agora só consegue pensar na próxima vez que você vai estar sozinho e distante de todo mundo.
Das vezes que você se olhou no espelho e só conseguiu enxergar ódio e desesperança, das vezes que você se encheu de motivação pra realizar uma tarefa e no exato próximo segundo desistiu, pois se sentiu incapaz, das vezes que você jurou a si mesmo que seria diferente, que não ia ser fraco, que não ia terminar com tudo, das vezes que você realmente tentou acabar com tudo e descobriu que nem disso era capaz.
Das vezes que você pensou estar repleto de amigos, mas todos desapareceram ou das vezes que eles tentavam estar ali e você machucou todos, simplesmente por não conseguir ter ninguém por perto ou por pensar que está incomodando.
Daquelas vezes que você voltava da faculdade cansado e só conseguia desejar que no trânsito acontecesse algum acidente trágico pra que você não levasse a culpa por ter acabado com sua “vida” – alias, que vida? – pra que os seus próximos conseguissem lidar com a dor da perda e logo se acostumassem.
Das vezes que você foi um completo peso pra todo mundo e só sabia reclamar de tudo, como um velho rabugento ou das vezes que você simplesmente não tinha palavras pra expressar o quanto você queria estar mais perto de todos, das vezes que você deixou todo sentimento escorregar por suas mãos e acabou se tornando um vazio.
Daquela vez que você tentou mostrar sua opinião e foi simplesmente humilhado e pisoteado pelo mundo. Daquela vez que você acordou no domingo e não conseguia sair do quarto o dia inteiro, pois tudo ao redor te assustava. Daquela vez que você se distanciou de amigos próximos, pois você era incapaz de ter amizades, daquela vez que você sentiu um aperto e um ódio imenso de si mesmo, daquela vez que você externalizou a dor em seu próprio corpo.
Daquela vez que você teve que dopar-se de remédios esperando que o real se alterasse e que algo mudasse esperando que a vida fosse tão bela como todos dizem que ela realmente é.
Daquela vez; daquela vez que você errou e seu pensamento já estava tão acostumado a errar que não conseguia nem insistir no erro mais, você simplesmente aceitou que seu lugar é insignificante e que sua tentativa não será mais válida.
