O divino Divinity: Original Sin 2

Conheça mais sobre o que a industria vem chamado de “o melhor RPG de todos os tempos”.

Parece que desde 2011, quando nós recebemos a beleza que foi “The Elder Scrolls: Skyrim”, um dos melhores RPGs já desenvolvidos, o mercado sofreu uma queda no que diz respeito ao gênero de RPG. Pelo menos nada apareceu no mercado como o nosso querido “Dovahkiin Simulator 2K11”, ou, pelo menos, nada até agora.

“Divinity: Original Sin 2” é a primeira sequência da nova série que vem sido desenvolvida pela Larian Studios. Vocês podem conhecem por toda a série “Divinity”, desde 1996. Este jogo teve um lançamento mundial no dia 14 de setembro de 2017, disponível para Microsoft Windows.

Assim como o seu predecessor, “Divinity: Original Sin”, a sequência só conseguiu ser desenvolvida com a ajuda do Kickstarter, e podemos considerar essa uma das melhores histórias a sair do site, pois o produto final vale MUITO o dinheiro investido. A Larian alcançou a marca desejada de 500 mil dólares em menos de 12 horas, e terminou o financiamento com uma marca de mais de 2 milhões de dólares.

O produto final que o cliente recebe é uma maestria no gênero de RPG e da indústria de games, um jogo não só que engaja com sua boa mecânica, narrativa e direção de arte, mas o fato de ser tão limpo e polido, e ao mesmo tempo desenvolvido por um estúdio de menos de 200 pessoas e pago por financiamento coletivo.

A reação do mercado foi unânime e universal: “Divinity: Original Sin 2” é um dos melhores RPGs de todos os tempos. Mas o que faz esse jogo tão incrível assim, ao ponto de já assegurar tanto renome em tão pouco tempo?

Um dos meus aspectos prediletos é como o jogo trata o mundo, com quase tudo interativo, e seguindo a sua função como no mundo real. Pisou na água? Está molhado. Tomou um choque enquanto molhado? Vai doer e muito. Pisou em óleo? Pode escorregar, cuidado. Encostou fogo no óleo? BOOM!

O mundo aberto e isométrico de “Divinity: Original Sin 2” é lindo e cheio de oportunidades para o jogador fazer praticamente qualquer coisa que desejar. De acordo com a força de seu personagem, pode mover quase qualquer objeto do jogo, se camufla de acordo com o cenário que está pisando no momento, é capaz de moldar o mundo a sua volta, mas o lado maravilhoso desse jogo não termina na interação detalhadíssima do jogador com o mundo.

As batalhas em “Divinity: Original Sin 2” são em turno, ou seja, quando o jogador tem um encontro com um inimigo, uma ordem é estabelecida de quem vai agir primeiro, e cada personagem ira realizar suas ações a partir de pontos de ação. Quando seus pontos de ação acabarem ou o jogador desejar, ele encerra sua vez e o próximo personagem faz o mesmo, até que o turno acabe e outro comece. É simples, fácil, intuitivo, e com a liberdade de mover a câmera para qualquer ângulo, é muito customizável também, podendo tornar a batalha uma experiência mais estratégica ou mais cinemática para o jogador, sempre com bastante ação, e com o nível de detalhe no mundo, elas podem ser muito castigadoras.

Enquanto isométrico, o jogo é totalmente 3D, com gráficos de ótima qualidade e uma direção de arte e som maravilhosa que provocam uma imersão nos primeiros instantes de jogo, que é talvez o maior destaque de evolução em comparação com o primeiro jogo da série: “Divinity: Original Sin”. É algo muito gostoso de ver, como um jogador da série pelo menos, essa evolução em ação e se sentir um pouco de parte disso tudo, vendo esse mundo crescer dessa forma.

Tudo parece fluir melhor nessa edição, como os personagens. Um dos defeitos do seu predecessor era que algumas vezes, ou em modos mais difíceis dos jogos, os personagens pareciam mais uma coleção de atributos e “buffs” do que personagens de verdade na qual você como jogador vai querer gastar tempo dentro do jogo conhecendo mais sobre ele e evoluindo-os junto com seu próprio personagem.

Em “Divinity: Original Sin 2” você ganha a possibilidade de criar o seu próprio personagem, além de ser ou interagir com 6 outros já criados, mas muito customizáveis em suas maneiras também. Dessa vez eles acertaram em criar histórias empolgantes para os personagens que podem vir a ser os coadjuvantes do jogador, tornando até mais difícil a escolha de apenas 3 destes 6 para viajar com você pelo mundo aberto.

E companhia é muito bem-vinda em “Divinity: Original Sin 2”, aonde o personagem e seu grupo são prisioneiros que buscam derrubar um regime opressivo. Apesar de uma sequência direta, o jogo se passa muitos e muitos anos após “Divinity: Original Sin”, então é muito fácil se entrosar na história mesmo sem ter familiaridade com a série ou ter jogado o jogo anterior.

São necessários em média 70 a 80 horas para completar a linha de quest principal, e existem muitas quests extras que o jogador pode pegar, seja pelo mundo ou até com seus companheiros de equipe, que lhe darão quests pessoais até, em troca de um laço verdadeiro de amizade, ou algo a mais até.

O jogo não é só extensivo, mas é detalhado e rica, evita os clichês básicos de “bom versus mal” que muitos RPGs sofrem. Apesar de ter um perfil clássico de jornada de herói, o jogador na verdade vai decidir MUITO de COMO a narrativa ira evoluir, se quer jogar um personagem heroico clássico, ou um bom e velho vilão, ou algo perdido no meio, a bússola moral é, assim como o resto dos aspetos do jogo, muito aberto e customizável pelo jogador.

“Divinity: Original Sin 2” oferece 5 raças: os clássicos humanos e anões, junto com lagartos aristocratas com crise de superioridade, elfos canibais e mortos-vivos que usam de seu corpo necrosado para fazer o que as raças vivas não conseguem. São 14 classes, que variam de guerreiros a ladrões, de arqueiros a magos, e tudo que pode encontrar no meio. E se não encontrar o que te agrada, não importa, você pode customizar uma classe todinha com tudo o que você gosta.

Este é um dos jogos que você VAI precisar jogar mais de uma vez se gosta de experimentar tudo o que ele tem a oferecer, se tem algo que “Divinity: Original Sin 2” tem é capacidade de jogar ele de novo quantas vezes quiser, sem sentir entediado.

Nossa, esse é o jogo perfeito, hein? UAU!

Não, não é BEEM assim! A interface dele é talvez aonde ele peca mais, os controles não são muito intuitivos, o que deveriam ser já que são muitos. Até para selecionar itens e quests ou organizar listar no jogo o jogador pode enfrentar um pouco de dificuldade, e é talvez aqui que alguns brochem um pouco, pois é quando aquela parte técnica vem, trazendo a realidade de tudo o que vem com um jogo tão expansivo e detalhado assim. Não estranhe então se você se perder no mapa 1, 2 ou 153 vezes!

A capacidade de jogar com pessoas em modo online cooperativo pode ser complicado também quando se mistura isso com o nível de detalhe do mundo. Um jogador não muito cooperativo pode causar dano no cenário que afetam os outros, como explosões, e atrapalhar muito o andamento das batalhas no jogo.

E sim, o jogo não lançou sem nenhum bug ou glitch, como qualquer jogo do mercado nas últimas duas décadas, mas o estúdio vem respondido aos problemas de forma efetiva e constante com patchs.

Meu veredito é o seguinte: enquanto criado no espírito dos grandes RPGs como “Baldur’s Gate” e “Diablo”, o que eles realmente fizeram foi tomar esse legado de base para a criação de algo incrível, que realmente deixa os fãs de RPGs sobrecarregados com o mar de possibilidades a sua frente com um jogo como esse.

É definitivamente recomendado para fãs de RPG, desde aqueles que gostam de jogos focados em histórias profundas e relevantes como para aqueles que preferem jogos com batalhas castigadoras e recompensantes. Um jogo absurdamente flexível, eu acredito que assim como “The Elder Scrolls: Skyrim”, “Divinity: Original Sin 2” vai ditar como os RPGs DEVEM ser daqui para frente, se quiserem causar um impacto no mundo dos videogames. Esse é um clássico instantâneo.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.