É pra ser sincero?
Eu te chamei aqui porque esse é o tipo de coisa que eu faço. Quero dizer, preciso ver as pessoas, senti-las. Porque lá, distante, você pode ser o cara que eu sempre sonhei, querer as coisas que eu mais quero, manifestar interesse pelos meus interesses, parecer incrível e especial. E não que você não possa tudo isso pessoalmente. Talvez possa, não é este o ponto. Mas acontece que mais do que saber do que você gosta, o que te motiva e quais são suas paixões, eu preciso ver você falando sobre isso, sentir a sua verdade. Não basta saber o seu filme favorito, eu preciso ver nos seus olhos o tesão com o qual você fala dele. Mais do que o o que, eu quero o como.
E o contrário é válido.
Pois fácil seria enumerar os meus gostos, sabiamente modelando-os para atingir quem quer que seja. Difícil é convencer de que gosto, de que sei, de que entendo. Me poupo do serviço de tentar me fazer inteligente com palavras estúpidas, mesmo que para muitos seja suficiente (e não apenas pedantismo irritante e tedioso) lançar frases frias para soar interessante. Me pergunte, pois, o que eu acho sobre aquilo ou aquilo outro e ouça o que eu tenho a dizer olhando nos meus olhos, absorvendo o tom da minha voz, isto sim terá algum valor.
Não me jogue num filtro tão cedo. Antes de me frustrar por não passá-lo, me frustrarei por perceber que você é do tipo que o usa com tanto afinco em camadas ainda tão superficiais.
Olha, vou falar: se eu não te quiser eu não te mereço. E não confunda minha autoestima com arrogância mas, à bem da (minha) verdade, o contrário é, mais uma vez, extremamente válido.