Gostaria poder traduzir em texto, imagem, vídeo, música ou mesmo meme toda a minha tragédia, e compartilha-la de modo a tornar pública a miserabilidade interior em que me encontro.
Gostaria, porém, que este texto, imagem, vídeo, música ou meme pudesse abrir margem para uma interpretação ironizada, sarcástica, de quem diz sem dizer e se esconde em mentiras, para que a ela eu pudesse recorrer caso alguém, atingido pela minha miséria, viesse questionar minha integrabilidade. “Não, estou bem, não era sério”, eu diria.
Gostaria, assim, arrefecer essa tortura sentimental, por vezes irracional, me livrando da culpa de guardar apenas comigo tudo o que já está mais que anunciado que uma pessoa sozinha não é capaz de lidar. E ao mesmo tempo me prender à corda de segurança que me impediria cair num poço de incompreensão, o qual tanto temo, e afogar na água parada dos sentimentos subjugados.