#Coimbra170 Dia 023

Terça, 04/10/16

Acordei e fui pra aula, obviamente acordei cedo mas fiquei enrolando e cheguei atrasado.

Lá conheci um cara turco, ficamos de papo, na hora do almoço ficamos jogando conversa fora e falando de Game Of Thrones. Alguns vícios rompem fronteiras.

Na aula prática fiz um grupo com o turco que jamais lembro o nome e o Filipe, um português gente boa, gosto do jeito “foda-se odeio essa faculdade só quero me formar” dele. Principalmente com relação à esse tipo de disciplina, que é muito chata e só vou fazer pra não fazer só Gestão da Qualidade. Nessa aula também conheci um cara do Rio, Diogo, de Petrópolis, combinamos de fazer alguma aula juntos ou algo assim, viemos pra casa no 24T, ele também mora por aqui.

Na volta pra casa dei uma volta pelos shoppings from China, decidi que já passava da hora de comprar uma chaleira, e lá se foram três euros e meio, numa panelinha de qualidade altamente questionável.

Aproveitei a viagem e comprei meu primeiro saca rolha.

Passei no mercado, comprei carne, iogurtes, aquele biscoito de milho que é ruim, mas é bom, macarrão, uns biscoitos de cacau pro café da manhã e donuts. Meu pai do céu. Donuts do pingo doce. Dois e vinte por 4 donuts. Não posso fazer isso virar rotina, caso contrário não entro nem na porta do avião quando voltar pro Brasa.

No mercado a Ayçin me manda mensagem me chamando pra uma festa na Praça onde cada um leva sua bebida. Comprei um vinho e uma Super Bock mini, preta.

Cheguei em casa, só queria minha cama, ainda tava morto de cansaço da viagem, mas tomei um banho e fui pra festa porque amanhã é feriado da implementação da república, logo, não tinha aula então podia farrear.

Dona Fátima me ligou e fez um convite para almoçar no feriado lá na casa dela com sua família, disse que não poderia almoçar por já ter algo marcado, mas era mentira, não queria me meter no meio de toda a família, sequer comer algo típico da Angola, joguei seguro, perguntei se podia passar para um café, ela assentiu, marcamos para a tarde do feriado.


A cena é que não teve nada na Praça. Nem música, nem ninguém do evento.

Moral da história, ficamos de papo a noite toda no banco da praça, não sabia se aquilo era pra ser um date, ou uma cerveja de brother, sei lá, malditas diferenças culturais,

O fato é que foi muito legal conhecer melhor a turca cujo nome se assemelha à onomatopeia referente à espirro. “Atchim!"

Lá ela me disse muito sobre a vida na Turquia e algo que mexeu muito comigo.

Ela foi a menina que vi perdida no autocarro dias atrás, perdida dos pais, sem número de celular, sem cartão de ônibus nem nada. Nesse dia acabei ajudando e levando ela pra fazer o cartão de transporte e situei ela na cidade.

O ponto é que lá pela madrugada ela virou e me agradeceu com os olhos cheios de água por eu ter ajudado ela naquele dia. Disse que eu não fazia ideia do quanto aterrorizada ela estava e que ela jamais esqueceria daquilo, disse a ela que não precisava agradecer, que também tinha sido ajudado inúmeras vezes quando cheguei.

Pedi a ela que ajudasse alguém caso tivesse oportunidade e que isso era o bastante. Fizemos este acordo.

Vim parar em casa congelando de frio, imagina se não tivesse bebido o vinho? Jesus.

Me enrolei no bom edredom, dormi feito um anjo.