Escolas Com Partido

Eis um questionamento extraído da página do Senador Lindbergh Farias, que posso responder com total segurança:

Seja quem for Marcelo, com o devido respeito, o autor da pergunta acima ignora que o professor que realmente está preocupado em ensinar a história da sociologia, a evolução política, a economia, o direito, a ciência política, a história e a filosofia, não o pode fazer de outra maneira senão comprometido com a integridade científica, com a neutralidade e imparcialidade intrínsecas a essa integridade científica, se concentrando única e exclusivamente em apresentar os fatos, a história de cada ciência, incitando os alunos a realizarem seus juízos de realidade antes de fazer qualquer juízo de valor. Deveria entender que nossos juízos de valor são questões particulares de cada um de nós, e que devemos respeitar essa liberdade de pensamento e principalmente a “independência do pensamento em relação aos preconceitos autoritários e sociais” — parafraseando Einstein — , onde o que é inimaginável é ignorar que respeitar tal independência do pensamento está visceralmente ligada a uma educação neutra e imparcial. Não há como um nazista, um capitalista, um socialista, um fascista, ou qualquer outro “ista” ensinar a sociologia, por exemplo, pois o “ista” (seja direitista ou esquerdista) vai explicar o mundo de acordo com a sua visão unilateral, enquanto a sociologia é multifacetada. Não poderíamos escolher por si mesmo quais conjuntos de pensamentos, princípios, conceitos e concepções se coadunam com nossos ideais ou anseios políticos antes de conhecer e examinar cada um deles. É simplesmente ridículo um professor se preocupar mais em ensinar o aluno a fazer julgamentos morais sobre o mundo antes de ensina-lo a entender o mundo! É simplesmente uma pergunta cretina!

E digo mais… Não podemos decidir se a dialética pode ou não pode ser oferecida como base científica de alguma teoria socioeconômica sem antes saber discernir o que é de natureza científica e o que difere a ciência do conhecimento filosófico. Simplesmente absurdo alegar que o marxismo é o melhor método de análise socioeconômica sem sequer conhecer outros métodos, outras escolas filosóficas além dessa filosofia continental, e outras escolas econômicas além dessa doutrina marxista. É um absurdo ensinar esperando que o aluno enxergue o mundo de acordo com os juízos moralistas do professor que não se presta a ensinar como se realiza juízos de realidade, tentando tapar o Sol com a peneira como se não existissem outras escolas (doutrinas) e outras metodologias que cedo ou tarde o seu aluno entrará em contato e que podem se provar mais eficientes que a do velho professor, e que não cabe a você, professor, escolher isso por seus alunos.

Sendo mais democrático do que eu deveria, pois, estou colocando em par de igualdade uma teoria que fracassou na experiência tanto quanto no exame científico, e outra que apresentou bons resultados nesses e em outros sentidos; entre ensinar a história das coisas através da visão unilateral da esquerda ou da direita, existe a forma certa de ensinar. Não há como ensinar a ciência sem despertar o prazer pelo pensamento científico. Não há como ensinar a ciência de acordo com meus ideias, minhas crenças. Mesmo cientistas mais religiosos, porém sensatos, sabem muito bem discernir as diferenças entre nossas convicções e a atividade científica. Ora, o que tem de científico em ensinar as coisas de acordo com uma ideologia ou religião? Não há como supervalorizar o esquerdismo ou qualquer outro ismo e não valorizar como se deve a sociologia, a economia, a ciência política, o direito, a história… Não tem cabimento dizer que somente através da esquerda é possível ensinar corretamente tais ciências ou os erros filosóficos que acarretaram em nazismo, fascismo e socialismo, ou os abusos econômicos que comprometem o capitalismo, ou tantas outras questões importantes, assim como seria absurdo dizer o contrário, e que somente através da ideologia centrista ou direitista seria possível ensinar essas ciências, suas origens e como pesquisar, estudar, verificar, examinar…. Ninguém se preocupa em ensinar como pesquisar ou respeitar a integridade científica, mas se preocupam que os alunos vejam o mundo como o professor vê.

As ciências são coisas que não exigem mais nada além delas mesmas para serem ensinadas. É insanidade pensar que vamos ensinar a ciência de acordo com a ideologia tal, ou de acordo com tal teoria. É duplamente absurdo acreditar que existe uma única maneira enviesada de ensinar as ciências e na mesma medida ignorar o que realmente é importante os seus alunos aprenderem.

Agora, eu fico imaginando as escolas com partidos… Como seria? Será que chegamos ao ponto onde as escolas devem formar militantes, revolucionários e reacionários??? Será que ninguém percebe o quanto seria baixo descer a esse nível e o quantas coisas estranhas isso revelaria a respeito da nossa cultura? Não estou fazendo uma análise do PL em questão, não estou aprovando-a, mas estou afirmando que escola com partidos é realmente o prenúncio de um futuro bizarro, onde todos não sabem nada, mas lutam através da educação para aniquilar seus opositores políticos. “Bem” “democrático”, com duas aspas…