Consertando Frank

Renata havia passado por isso muitas vezes.

Faz parte da vida de toda mulher: procurar por alguém, encontrar um interesse baseando-se nas poucas referências disponíveis, marcar esse encontro meio às cegas, arrumar-se, deslocar-se ao local (público!) previamente combinado, no horário marcado (esforçava-se pra nunca se atrasar pra o que fosse!) conhecer uma pessoa nova — com frequência, homens — e decepcionar-se.

Suspira…

Nos últimos três meses foram quatro encontros. Alguns recorrentes, pois às vezes é infantil desistir sem antes insistir.

(Outras vezes, não.)

Sem sorte, ela se diz. Já gostou de algumas pessoas, claro! De sua maneira de recebê-la com o respeito e o carinho que sabe merecer. Renata é tímida, mas não é boba. Conhece seu valor. No mínimo, acredita nele e isso lhe basta — é uma conquista que lhe custou décadas e portanto a celebra mesmo quando, ainda, duvida de si mesma.

Portanto é consciente sua decisão de levar aqueles dois casos adiante. Já sabe que um deles tem prazo pra terminar. As coisas que ele diz, as ações que toma, que não toma, o fato de esquecer-se de aspectos importantes no relacionamento deles dois… Dois ou três encontros, e nada mais, para botar os pingos nos is.

O segundo caso, entretanto, precisa de uns bons meses. Não pelo afeto, mas por terem embarcados juntas — sim, ela e ela — num “projeto” que não pode ser transferido. Têm que terminá-lo para poderem seguir adiante.

Há problemas. Mais dúvidas que problemas. Mais… pequenos descontentamentos que problemas…

Semana passada soube de um outro amigo. Uma amizade recente, uma amizade… moderna — dessas que começam virtuais e que permanecem a sê-lo, quase sempre. Alguém que lhe inspirava confiança.

Talvez por causa daquele sorriso…

Soube que ele vivia algo parecido. Daí pensou em lhe chamar pra conversar. Pedir-lhe opinião e, quem sabe, também ajuda.

Ele topou!

Marcaram pra uma manhã de sábado. Do outro lado da cidade… Mais exatamente em outra cidade, aliás, a quase uma hora de distância-tempo (nota-se um componente “nerd” em sua personalidade?)!

Ansiosa, sem saber bem o porquê, acordou muito cedo. Tomou seu café, tomou seu banho. Precavida, encheu o tanque de combustível e pediu ao frentista que lhe calibrasse os pneus. Sua simpatia sempre lhe conseguia que o frentista é que sujasse as mãos (Gostava de acreditar que era assim, mesmo sem ter certeza de que fosse — resquícios de sua insegurança).

Foi.

E ele a recebeu com um sorriso (aquele…), lhe tratou de um jeito, conversaram de uma maneira, que ela soube sem qualquer sombra de dúvida e, com coragem, lhe disse:

— Não importa quanto tempo leve e a distância que eu tenha que percorrer. Não importa tua agenda complicada de homem casado e profissional de sucesso. Não importa que pra você eu nem seja ainda exatamente uma amiga. Assim que eu terminar com a Dra. Vera, você será meu novo dentista!

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