Havia um tempo em que tudo era encontro…

Tanta gente escrevia, se descobria nessas palavras — uns aos outros e a si mesmos. Nasciam as amizades… E desse virtual para o real era um pulo!

Ou um ônibus, trem, avião.

Hoje parece que a tela basta. Somente a tela: sua leitura ou, quando muito, passar de olhos. Rareiam os comentários, as conversas que atravessavam plataformas e davam uma canseira a quem tentasse acompanhá-las de fora.

Acabaram-se os encontros.

Cadê o Pico do Jaraguá, de Niterói e Curitiba, tudo ao mesmo tempo? Quem comeu aquele chile con carne e o levou no bucho pra Austrália, via Brasília? E o veneno que virou leite de vaca “naqueles dias”, onde está?

Nestas férias redescobri a força de estar junto. Na capital, no interior ou na Cruz Alta. Relembrei que a partir desses momentos tudo o que passou, ainda que com interesse genuíno, ganha tridimensão: salta desta tela, cresce em contexto, vira lembrança. A rica lembrança que agora sabe onde fica aquele quadro apoiado à parede; que já sentou naquele banco, depois de movê-lo ao ponto certo do gramado, e conheceu os sabores do sorvete; conhece os gestos, as vozes, os jeitos e trejeitos.

Saberei ainda o caminho até a Cantareira? Não me eximo dos meus erros — eu não aceito todos os convites! Preguiça, mais que tudo... Me indulgencio com a ideia de que assim não banalizo esses contatos.

É auto-engano! Bom é estar com gente. Mais vezes.

— Vamos!