Minha camisa rosa

Eu tenho uma camisa cor-de-rosa.

De mangas compridas, que nunca abotoo. Prefiro dobrá-las ainda no elevador ou no carro: uma, duas, três vezes.

Ficam a meio braço, as mangas. Sem gravata, as mangas a meio braço me deixam bem. Eu acho.

Eu tenho outras camisas, inclusive cor-de-rosa — estas outras, de mangas curtas ou punhos brancos. (Colarinho também? Não me lembro…) — brancas, amarelas, azuis, cinzas. Hoje, escolhi a cor-de-rosa. Fica bem com a calça… o quê? Bege? Creme?

Não entendo tanto de cores!

Camisa cor-de-rosa, calça bege, sapatos marrons — cinto e óculos também. E olhos. Só a barba e os cabelos é que são pretos. Já nem eles, agora brancos.

Acho que estou bem.

Me observo no grande espelho do toalete. O celular guardado no bolso da camisa, preto, transparece pelo rosa-bebê do tecido. Mas há algo novo ali! Um quadrado menor — branco? — que ficou preso ao bolso da camisa e agora contrasta contra o fundo preto do celular e transparece, com ele, pelo rosa-bebê do tecido.

Que será?

Um cupom. Amarelo-bebê, não rosa. Fosse rosa, seria invisível no bolso da camisa... Um cupom fiscal. A compra de uns pães.

3,09 dinheiros.

Fevereiro, 22.

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